A política de atenção ao câncer em Goiás passou por uma reestruturação significativa nos últimos anos, com a ampliação da rede pública, a criação de unidades especializadas e o fortalecimento de parcerias que vêm aproximando o diagnóstico e o tratamento da realidade dos pacientes. Desde 2019, o Estado adotou uma estratégia voltada à expansão da assistência oncológica com foco na regionalização do atendimento, no investimento em estrutura e na incorporação de recursos tecnológicos.
Esse novo desenho ganhou um marco importante em setembro de 2025, com a inauguração do Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora). A unidade tornou-se o primeiro hospital público estadual voltado exclusivamente ao tratamento de câncer em crianças e adolescentes, permitindo que famílias tenham acesso a terapias de alta complexidade sem a necessidade de buscar atendimento fora do território goiano.
Com 50 leitos destinados ao público pediátrico, o hospital atende pacientes de até 17 anos com tumores sólidos ou doenças hematológicas, além de jovens entre 18 e 23 anos diagnosticados com câncer ósseo, como osteossarcoma e sarcoma de Ewing.
Desde o início das atividades, o Cora já realizou 705 cirurgias oncológicas, 1.062 sessões de quimioterapia e 2.301 consultas médicas, consolidando-se como referência no atendimento especializado.
Para as famílias, os efeitos desse avanço vão além dos indicadores assistenciais. Moradora de Aparecida de Goiânia, Adaiane Teixeira da Silva acompanha o tratamento da filha Ana Beatriz, de 8 anos, diagnosticada com leucemia. “Em apenas dois meses de acompanhamento, o exame mais recente já não apontou sinais da doença. A estrutura, os recursos disponíveis e a forma como as crianças são tratadas fazem toda a diferença nesse processo”, relatou.
Em Goianésia, Jéssica Morais também destaca o impacto da unidade no tratamento do filho Arthur. “Passar por um diagnóstico assim é muito difícil, mas ter um lugar que oferece cuidado e confiança muda completamente a forma como enfrentamos cada etapa”, afirmou.
A ampliação do acesso ao tratamento também avançou fora da capital. Em Uruaçu, o Hospital Estadual Centro-Norte Goiano passou a oferecer atendimento oncológico completo após ser habilitado como unidade de alta complexidade em 2024, permitindo que pacientes realizem diagnóstico, cirurgias, quimioterapia, reabilitação e cuidados paliativos na própria região.
Em Itumbiara, o hospital estadual local integra essa rede com 20 leitos destinados ao atendimento oncológico e suporte a diferentes especialidades.
Os reflexos da expansão aparecem nos dados assistenciais. Em 2025, as unidades estaduais realizaram 21.669 consultas oncológicas, 2.231 cirurgias e 6.220 sessões de quimioterapia, ampliando o acesso ao tratamento especializado em diversas regiões.
Segundo a superintendente de Políticas de Atenção Integral à Saúde, Amanda Melo, a reorganização busca aproximar o cuidado do cotidiano dos pacientes. “Estamos estruturando o atendimento para que as pessoas encontrem suporte cada vez mais perto de onde vivem, com qualidade e recursos adequados. Isso reduz deslocamentos e melhora as condições de acompanhamento ao longo do tratamento”, explicou.
Além das unidades próprias, o Estado mantém cooperação com instituições conveniadas que ampliam a capacidade de atendimento, como o Hospital do Câncer de Rio Verde e o Hospital Padre Tiago da Providência de Deus, em Jataí.
O Hospital Araújo Jorge recebe investimento anual de cerca de R$ 24 milhões para fortalecer sua atuação, enquanto o Hospital Evangélico Goiano integra a rede por meio da oferta de serviços em onco-hematologia, incluindo consultas e exames.
Com a consolidação dessa estrutura, Goiás avança na construção de uma rede oncológica mais descentralizada, capaz de oferecer diagnóstico, tratamento e acompanhamento contínuo em diferentes regiões, reduzindo distâncias, ampliando o acesso e fortalecendo o cuidado ao longo de toda a jornada dos pacientes.
