A escola de samba que levou para a avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou rebaixada após a apuração das notas do carnaval deste ano. A apresentação, que gerou forte repercussão política e social antes mesmo do desfile, não conseguiu garantir pontuação suficiente para permanecer no grupo principal.
Com um samba-enredo centrado na trajetória política de Lula, a agremiação apostou em uma narrativa que exaltava a origem humilde, a atuação sindical e a chegada à Presidência da República. Alegorias grandiosas, fantasias com referências históricas e discursos sobre democracia marcaram o desfile, que dividiu opiniões dentro e fora da avenida.
Parte do público aplaudiu a proposta e destacou o direito à liberdade de expressão artística. Outro segmento criticou o que considerou excesso de politização em um evento cultural tradicionalmente voltado ao entretenimento e à celebração popular. O debate tomou as redes sociais e ampliou a visibilidade da escola.
No quesito técnico, porém, os jurados apontaram falhas em harmonia, evolução e acabamento das alegorias. Problemas de organização durante a passagem pela avenida e pequenos atrasos também teriam impactado o desempenho final da agremiação.
A diretoria da escola afirmou que o resultado não apaga o orgulho pelo desfile apresentado e reforçou que o carnaval é espaço legítimo para manifestações culturais e políticas. Integrantes destacaram o empenho da comunidade e prometeram trabalho intenso para buscar o retorno ao grupo de elite.
O rebaixamento reacende a discussão sobre os limites entre arte e política no carnaval brasileiro. Historicamente, as escolas de samba já abordaram temas sociais, históricos e ideológicos em diferentes momentos do país.
Apesar da queda, a escola garantiu que seguirá defendendo seu posicionamento e investindo na reconstrução para o próximo ano. Para a comunidade, o desfile foi mais que uma competição: representou uma declaração pública de identidade e convicção.
