A troca de comando no Palácio do Buriti, oficializada nesta segunda-feira (30), na Câmara Legislativa do Distrito Federal, não foi tratada como ruptura, mas como continuidade com identidade própria. Ao assumir o Governo do DF, Celina Leão usou o primeiro discurso como governadora para marcar posição, combinar experiência política com mensagem de fé e deixar claro o rumo que pretende imprimir à gestão.
Diante de autoridades e parlamentares, Celina abriu a fala com um tom pessoal e simbólico, deslocando o foco da cerimônia para o significado do momento. “Hoje é um dia de muita emoção e de muita gratidão. Gratidão, inicialmente, a Deus, porque é por Ele e para Ele”, afirmou, em uma introdução que pautou o discurso do início ao fim.
Ao longo da fala, a nova governadora construiu uma narrativa centrada na própria trajetória política e na vivência em diferentes espaços de poder. “Já fui deputada da base e da oposição; eu sei exatamente o que isso significa”, disse, ao reforçar capacidade de diálogo e articulação, atributos considerados estratégicos para a condução do governo em um cenário de alta cobrança política.
Sem se afastar da gestão anterior, Celina também fez questão de vincular sua chegada ao trabalho desenvolvido por Ibaneis Rocha, que deixou o cargo para disputar o Senado em 2026. Ao reconhecer os resultados alcançados, indicou que a nova fase do governo será uma continuidade estruturada, mas com condução própria.
A marca pessoal da governadora, no entanto, apareceu com mais força quando ela destacou o caminho até o cargo. “Nada me foi dado; tudo foi construído”, afirmou. Em seguida, trouxe um recorte mais íntimo da vida pública ao reconhecer os sacrifícios acumulados ao longo de três décadas: “São 30 anos de vida pública. Muitas vezes, a gente perde dias importantes, mas é para servir o povo”, declarou.
Na parte programática do discurso, Celina sintetizou as prioridades da gestão em dois eixos: ambiente econômico e proteção social. Ao falar sobre o setor produtivo, indicou que pretende reduzir entraves e simplificar processos. Já no campo social, reforçou a centralidade das políticas voltadas à população mais vulnerável: “Cuidar das pessoas sem deixar ninguém para trás”, resumiu.
O momento de maior peso simbólico veio na reta final, quando a governadora ampliou o alcance político da posse ao vinculá-la à representatividade feminina. “Não é apenas uma mulher assumindo o GDF; são todas as mulheres do Distrito Federal”, afirmou. Na sequência, retomou o tom de fé que atravessou o discurso: “Até aqui, Deus me carregou no colo, mas, a partir de agora, Ele vai à minha frente”.
A cerimônia também funcionou como um gesto público de transição política. Em sua fala, Ibaneis Rocha destacou o perfil da sucessora e fez uma defesa direta da capacidade de gestão de Celina. “Ela conhece a máquina administrativa, tem poder de decisão, firmeza nas decisões e tem algo essencial: sensibilidade com quem mais precisa. Política se faz para quem mais precisa”, afirmou. Ele ainda desejou sucesso à nova governadora e se colocou à disposição.
A posse segue o rito constitucional para substituição definitiva no Executivo local. Com a renúncia de Ibaneis para entrar na disputa eleitoral de 2026, a então vice-governadora assume o cargo e garante a continuidade administrativa do Distrito Federal em um momento de transição política relevante e de expectativa elevada sobre os próximos passos da gestão.
