Atividades do Abril Marrom no Crer promovem inclusão e reabilitação de pessoas com deficiência visual

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A campanha Abril Marrom tem como objetivo alertar a população sobre a importância da saúde ocular e da prevenção da cegueira. No Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), pacientes com deficiência visual recebem atendimento especializado, com diferentes abordagens de cuidado, inclusive nos casos em que a recuperação da visão não é possível.

Atualmente, cerca de 160 pacientes são acompanhados pelo serviço de reabilitação visual da unidade, mantida pelo Governo de Goiás.

Dados do Censo 2022 do IBGE mostram que a dificuldade para enxergar é a mais comum entre as pessoas com deficiência no Brasil, atingindo aproximadamente 7,9 milhões de brasileiros. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 80% dos casos de cegueira no mundo poderiam ser evitados com informação, diagnóstico precoce e tratamento adequado.

Entre as principais causas de cegueira evitável estão a catarata, o glaucoma, os erros refratários, a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade.

Importância da prevenção

Muitas dessas doenças se desenvolvem de forma silenciosa, principalmente nas fases iniciais, o que reforça a necessidade de consultas oftalmológicas regulares ao longo da vida, especialmente na infância.

A oftalmologista do Crer, Isadora Melgaço, explica que a cegueira não significa apenas a perda total da visão, mas envolve diferentes graus e tipos de comprometimento visual.

“Há pacientes com perda da visão periférica, como no glaucoma, outros com alterações em partes do campo visual, como após um AVC, e também aqueles com prejuízo da visão central, comum na degeneração macular”, destaca.

Reabilitação e autonomia

Mesmo quando não há possibilidade de recuperação da visão, o trabalho de reabilitação é essencial para garantir qualidade de vida e independência. Os recursos vão desde auxílios ópticos, como lupas, até tecnologias assistivas, como leitores de tela e sistemas de ampliação de contraste.

Os resultados desse acompanhamento são percebidos no dia a dia dos pacientes. É o caso de Beatriz, de 10 anos, que apresenta baixa visão decorrente de uma malformação ocular.

“Antes da terapia, ela tinha muita dificuldade para identificar objetos e coordenar os movimentos. Hoje, já consegue segurar as coisas e entender melhor o espaço”, relata a mãe, Normeli Aparecida.

Desafios e superação

Há também casos em que a perda visual é progressiva e irreversível, como em doenças genéticas. Murilo Leal Rezende, de 20 anos, foi diagnosticado com Síndrome de Bardet-Biedl, uma condição rara que afeta, entre outros aspectos, a visão.

Desde a infância, ele apresentava dificuldades visuais, inicialmente associadas ao transtorno do espectro autista. Com o avanço dos sintomas, o diagnóstico foi confirmado por exame genético.

Hoje, Murilo recebe acompanhamento multiprofissional no Crer. Segundo a mãe, Fernanda Leal, o jovem tem apresentado avanços importantes.

“Com a estimulação visual, ele aprende a aproveitar melhor o que ainda consegue enxergar. O acompanhamento psicológico também tem ajudado na aceitação da condição”, afirma.

Apesar das limitações, Murilo segue ativo, estudando canto e teatro, embora ainda enfrente desafios relacionados à acessibilidade, principalmente no ambiente educacional.

Atendimento completo

No Crer, o cuidado vai além da oftalmologia. O programa de reabilitação visual inclui treino funcional, mobilidade, atividades de inclusão e suporte psicológico.

O terapeuta ocupacional Cristiano da Silva Melo explica que são trabalhadas atividades do cotidiano, como uso de bengala, deslocamento seguro, leitura com recursos ampliados, alfabetização em Braille e utilização de tecnologias assistivas.

Além disso, os pacientes recebem orientações práticas para o dia a dia, como uso de marcações táteis em objetos, contraste de cores na alimentação e organização dos ambientes, estratégias que ajudam a fortalecer a autonomia.

O Abril Marrom reforça que a prevenção ainda é o caminho mais eficaz para evitar a cegueira. Ao mesmo tempo, destaca a importância de ampliar o cuidado com quem já convive com a deficiência visual, garantindo acesso à reabilitação, inclusão e mais qualidade de vida.

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