O Governo do Distrito Federal anunciou uma nova ofensiva para reduzir as filas na rede pública de saúde. Nesta quarta-feira (29), a governadora Celina Leão apresentou a segunda etapa do programa Saúde Mais Perto do Cidadão, que começa a ser executado em maio, com investimento de R$ 58.206.856, viabilizado por emendas parlamentares.
A iniciativa tem como objetivo ampliar a oferta de atendimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) no DF, enfrentando diretamente a espera por consultas, exames e procedimentos. “A saúde sempre exigiu uma atenção muito grande. Hoje, um dos nossos maiores desafios é a fila por procedimentos, e esse programa vem justamente para dar a resposta que a população espera”, afirmou a governadora.
De acordo com as projeções do governo, cerca de 208.592 pacientes deverão ser contemplados, com a realização de 786.589 atendimentos, incluindo consultas especializadas, exames laboratoriais e de imagem, ultrassonografias, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, teleconsultas, atividades físicas orientadas, fornecimento de óculos e procedimentos odontológicos.
Celina Leão ressaltou que a proposta foi estruturada para garantir continuidade no atendimento dentro da rede. “Em muitos casos, o paciente conseguia a consulta, mas não avançava para o exame ou tratamento. O que estamos estruturando agora é uma linha de cuidado completa, na qual ele possa percorrer todas as etapas, do diagnóstico ao tratamento”, explicou.
O programa reúne dez projetos voltados às especialidades com maior demanda reprimida. A ortopedia lidera o volume de atendimentos, com os projetos Diagnóstico Ortopédico Ampliado e Ofertas de Cuidados Integrados (OCI) de Ortopedia, que, juntos, somam 100.525 pacientes. Na área de saúde visual, as iniciativas Visão Além do Alcance e Além do Olhar devem atender 69.940 pessoas.
Também estão previstos 35.544 atendimentos em cardiologia, contemplando avaliação de risco cirúrgico e diagnóstico de insuficiência cardíaca e síndrome coronariana crônica. A lista inclui, ainda, ações em otorrinolaringologia (11.590 atendimentos), saúde da mulher (3.218), odontologia (1.200), reabilitação locomotora (1.100) e urologia oncológica (1.015).
A governadora destacou que o programa integra um conjunto mais amplo de medidas para ampliar a capacidade da rede pública. “Nosso objetivo é reduzir as filas com o apoio dos parlamentares e com a ampliação da rede. Sabemos que essa iniciativa contribui, mas não resolve tudo sozinha; por isso, estamos estruturando novas ações para ampliar ainda mais os atendimentos e as cirurgias”, afirmou.
O secretário de Saúde do DF, Juracy Cavalcante, explicou que o programa foi concebido para atuar de forma integrada entre os diferentes níveis de atenção. “Quando falamos de saúde, precisamos considerar dois eixos: o ambulatorial, com consultas e exames, e o cirúrgico. Se atuarmos apenas em um deles, criaremos gargalos no outro”, disse.
Segundo ele, a estratégia da secretaria combina medidas simultâneas para dar mais fluidez ao atendimento. “Já contamos com um programa voltado para cirurgias de menor complexidade, com encaminhamento para a rede privada, o que permite que os centros cirúrgicos públicos se concentrem nos casos mais complexos. Agora, com essa nova etapa, passamos a enfrentar também as filas do atendimento ambulatorial”, afirmou.
“O paciente entra pela consulta, realiza o diagnóstico e, se necessário, segue diretamente para o procedimento. A proposta é estruturar toda a linha de cuidado de forma integrada, evitando interrupções e reduzindo o tempo de espera”, completou o secretário.
Os recursos que viabilizam os projetos são, em grande parte, oriundos de emendas parlamentares da bancada federal do DF. Durante o anúncio, foram citados nomes como Alberto Fraga, Rafael Prudente, Bia Kicis e Júlio César Ribeiro, além de outros parlamentares que também destinam recursos à saúde do Distrito Federal, como a senadora Leila Barros e o senador Izalci Lucas.
A ação integra um pacote mais amplo de reforço à saúde pública no DF. Recentemente, o governo autorizou a liberação de R$ 244.854.852 para o Fundo de Saúde do Distrito Federal. O crédito suplementar foi aberto com base em superávit financeiro, conforme previsto na Lei nº 4.320/1964, com o objetivo de reforçar as dotações orçamentárias e garantir a execução de políticas públicas na área, em conformidade com a legislação vigente.





