Após 54 anos, Ceasa-DF recebe ampla reestruturação e renova áreas históricas

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A rotina da Ceasa-DF mudou. Entre caminhões carregados de hortaliças, corredores movimentados e feiras que começam ainda de madrugada, o maior centro de abastecimento do Distrito Federal vive um amplo processo de modernização que tenta resolver problemas acumulados ao longo de mais de cinco décadas de funcionamento.

Com investimento de R$ 21,5 milhões do Governo do Distrito Federal (GDF), a central passa por uma reestruturação que atinge praticamente toda a sua infraestrutura. As obras incluem recuperação das redes elétrica, hidráulica e sanitária, reforma de pisos, pintura, troca de telhados, melhoria da iluminação pública e construção de três novos banheiros. Parte dos serviços já foi concluída; outros estão em fase final de execução, e algumas etapas seguem previstas para os próximos meses.

Segundo o presidente da Ceasa-DF, Bruno Sena Rodrigues, trata-se da maior intervenção estrutural já realizada no complexo desde a inauguração da central, há 54 anos. “Durante muito tempo, a Ceasa foi funcionando sem receber investimentos compatíveis com o tamanho da operação. Com o passar dos anos, vários sistemas ficaram comprometidos. Existiam problemas sérios na rede elétrica, no abastecimento de água, no esgoto e até nos telhados dos pavilhões. Esse investimento permitiu iniciar uma recuperação ampla para dar mais segurança, organização e qualidade de vida para quem trabalha aqui diariamente”, afirmou.

A dimensão da obra se torna ainda mais desafiadora diante da movimentação diária da central. Atualmente, cerca de 600 feirantes atuam na Ceasa, que reúne aproximadamente 5 mil trabalhadores por dia, entre produtores rurais, carregadores, comerciantes e empresários. Nos principais dias de feira — segundas, quintas e sábados, o fluxo de consumidores varia entre 12 mil e 14 mil pessoas.

Mesmo com as intervenções em andamento, a operação da Ceasa continua funcionando normalmente. Para evitar impactos no abastecimento e nas vendas, boa parte dos serviços ocorre após o encerramento das feiras.

“A Ceasa simplesmente não pode parar. Existe toda uma logística para executar as obras sem interromper a atividade comercial. Muitas equipes entram no período da tarde, depois do fim das feiras, e precisam deixar tudo organizado novamente para o funcionamento do dia seguinte”, explicou Rodrigues.

Entre as mudanças mais percebidas por trabalhadores e comerciantes está a modernização da iluminação do complexo, que já alcançou cerca de 80% da área da Ceasa. A nova estrutura melhorou a visibilidade em corredores, estacionamentos e áreas de circulação durante a madrugada, período em que milhares de trabalhadores chegam para descarregar mercadorias.

Produtora de hortaliças e moradora de Água Fria (GO), Alvenice Dias acompanha diariamente essa transformação. Ela costuma chegar ainda durante a madrugada e, muitas vezes, dorme dentro do caminhão no estacionamento da central enquanto aguarda o início das vendas.

Segundo Alvenice, a falta de iluminação era uma das principais reclamações de quem trabalhava no local. “Era muito escuro, e isso trazia insegurança para todo mundo, principalmente de madrugada. Hoje, a situação mudou bastante. A iluminação ajudou muito porque conseguimos circular melhor, saber onde estamos pisando e ter mais tranquilidade. Além disso, as câmeras passaram a registrar tudo com mais clareza, o que ajuda a afastar quem tenta fazer algo errado”, contou.

Outro setor que passa por transformação é a Central Flores, tradicional espaço da Ceasa dedicado à comercialização de plantas e flores ornamentais. O local está recebendo uma nova estrutura para substituir a antiga cobertura de lona, que sofria desgaste frequente por causa das chuvas e das altas temperaturas.

A nova construção já está em fase avançada e terá altura semelhante à do prédio administrativo da Ceasa. O projeto foi dividido em etapas para permitir que os comerciantes continuem trabalhando durante a execução das obras.

“Era uma estrutura muito vulnerável ao tempo. Quando chovia forte, havia infiltrações e muitos transtornos para os comerciantes. Agora, estamos construindo um espaço definitivo, mais moderno e mais bonito. Vamos fazer uma etapa primeiro, transferir os comerciantes para a parte concluída e depois finalizar o restante da obra, incluindo telhado, piso e toda a estrutura”, explicou Bruno Rodrigues.

A expectativa pela entrega do novo espaço é compartilhada pelos permissionários do setor. Há 12 anos trabalhando na Central Flores, a florista Carla Camargo afirma que a antiga estrutura já não oferecia condições adequadas nem para os trabalhadores nem para os clientes.

“O ambiente acabava virando uma espécie de estufa improvisada. O calor era muito forte, e isso causava desconforto para quem trabalha e também para quem vinha comprar. Essa reforma é esperada há muitos anos e deve melhorar muito tanto a experiência dos clientes quanto a valorização dos produtos”, afirmou.

As obras também avançam na Feira Mix, antiga MultFeira, e na praça de alimentação da Ceasa. O espaço recebe melhorias no telhado, no piso, na iluminação, na rede elétrica e na instalação de forro de PVC. As intervenções já estão em fase de conclusão.

Dona de um restaurante no local há nove anos, Elizete dos Santos Martins conta que a praça de alimentação sofria com problemas antigos, como goteiras, iluminação precária, desgaste do piso e até presença constante de pombos.

“A praça de alimentação é um dos espaços mais importantes da Ceasa e precisava muito dessa revitalização. Antes, o piso estava rachado, a iluminação era ruim e as goteiras atrapalhavam bastante, sem contar os problemas com pombos. Agora, o ambiente ficou muito mais confortável e agradável”, relatou.

Segundo ela, os reflexos da reforma já aparecem no movimento de clientes. “O público percebeu rapidamente a mudança. Muitas pessoas elogiam o novo visual do espaço, e isso acabou aumentando bastante o fluxo na praça de alimentação. Dá para ver a satisfação dos clientes no dia a dia”, completou.

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