Brasília revive tradição automobilística com autódromo modernizado e aval internacional

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Brasília está prestes a reativar um dos equipamentos esportivos mais emblemáticos da capital. A cidade, que nasceu com avenidas amplas e curvas ousadas idealizadas por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, sempre encontrou no automobilismo uma expressão natural. Muito antes da inauguração oficial do autódromo, em 1974, as ruas já serviam de palco para corridas improvisadas que antecipavam o futuro da modalidade no DF.

A vocação não tardou a se confirmar: do Distrito Federal emergiram três nomes que chegaram à Fórmula 1 — Nelson Piquet, Felipe Nasr e Nelsinho Piquet. E, mesmo com o autódromo fechado por quase 12 anos, Brasília seguiu formando pilotos e mantendo viva a paixão pela velocidade.

Agora, com a conclusão da primeira fase da reforma, a pista volta ao cenário nacional totalmente renovada. São 5.384 metros capazes de gerar até seis traçados distintos, após uma modernização que consumiu R$ 60 milhões do Governo do Distrito Federal (GDF). O projeto preserva o desenho clássico, mas reposiciona o circuito em padrão internacional, apto para receber eventos de automobilismo e motociclismo.

O governador Ibaneis Rocha afirma que a retomada representa mais do que a entrega de um equipamento esportivo. “Esse espaço faz parte da identidade do DF. Ele mexe com quem acompanhou a história do autódromo e também inspira quem está começando agora”, disse. Para ele, a reinauguração tem caráter formador. “Os veteranos estão emocionados, mas a nossa meta é criar oportunidades para os jovens correrem aqui com estrutura de alto nível e buscarem voos maiores.”

Entre os pilotos que sentiram de perto o abandono do espaço e agora celebram o renascimento está o brasiliense Vitor Meira, 48 anos, campeão sul-americano de F3 e ex-Indy. Ele cresceu percorrendo os boxes e viveu ali sua formação esportiva. “Passei anos da minha vida dentro desse autódromo. Lembro das refeições improvisadas, das tardes de calor forte, da espera pelo combustível para continuar treinando. Era um lugar antigo, cheio de defeitos, mas que significava muito para nós”, recorda.

A reabertura, diz ele, tem peso simbólico. “Muita gente começou a carreira sem nunca ter guiado aqui. Agora, teremos um circuito digno do que Brasília representa no automobilismo. As lembranças que carrego são incríveis — e tenho certeza de que outras ainda melhores estão por vir.”

O piloto também avaliou tecnicamente a nova pista. “O nível do traçado está muito acima do que tínhamos antes. É um circuito moderno, desafiador, que prepara o piloto para qualquer cenário. Para as categorias de base, isso é ouro. Tenho absoluta certeza de que veremos arquibancadas cheias e muito carro acelerando por aqui.”

A expectativa também acompanha o jovem piloto Pedro Cardoso, 26 anos, que compete na TCR e na F4 e estava presente na última corrida realizada no autódromo antes do fechamento. “A gente esperou muito por esse momento. Foi um processo longo, cheio de idas e vindas, mas finalmente o projeto saiu do papel. A pista ficou excepcional”, afirmou.

Ele elogia especialmente o desenho e o tamanho do circuito. “É uma pista técnica, desafiadora e, se minha memória não falha, é a mais extensa do Brasil. Isso eleva muito o nível das disputas.”

O brasiliense Enzo Elias, 23 anos, piloto da Stock Car, foi conhecer o novo asfalto em uma visita técnica organizada pelo GDF e pelo BRB, gestor do complexo. Era a primeira vez dele no traçado. “O piso está impecável. Estou contando os dias para acelerar de verdade aqui. Falo sem exagero: essa volta inicial mexeu comigo. Sempre ouvi elogios sobre o traçado e a localização, e agora entendo por quê. A ansiedade está altíssima”, afirmou, sorrindo.

A revitalização também recebeu aval de especialistas. O ex-piloto e jornalista João Luiz da Fonseca destaca que o retorno do circuito impactará muito além do esporte. “Poucos autódromos do Brasil tinham a reputação que Brasília tinha antes de fechar. Era um lugar onde todos gostavam de correr”, observou. Para ele, o renascimento do complexo movimentará vários setores. “O projeto é bem executado e tem potencial para atrair eventos o ano inteiro. Gera turismo, trabalho, renda. Fico satisfeito em ver que, após mais de uma década parado, finalmente houve quem bancasse a revitalização completa.”

Visitas ilustres e aprovação internacional

Durante a reta final das obras, o autódromo recebeu visitas de nomes de peso do automobilismo mundial. No fim de outubro, o tricampeão da Fórmula 1 Max Verstappen esteve no local acompanhado por Nelson Piquet. “O desenho da pista é muito rápido e muito divertido. Quando estiver aberta, vai proporcionar experiências ótimas, tanto para carros quanto para bicicletas”, comentou Verstappen. Piquet também aprovou: “É um traçado largo, seguro e muito bem-feito.”

A segurança, inclusive, foi um dos grandes eixos da obra: foram criadas 13 áreas de escape, instalados mais de 10 mil metros de guard rails e espalhados 40 mil metros quadrados de caixas de brita.

Em agosto, o também piloto da Fórmula 1 Gabriel Bortoleto avaliou o traçado reformado. “Ter mais um autódromo de alto nível no Brasil é sensacional. Brasília fez um trabalho impressionante. O padrão de drenagem, segurança e asfalto é europeu. A largura da pista e os seis possíveis layouts oferecem possibilidades incríveis de disputa”, elogiou.

O novo autódromo

O complexo reformado mantém os 5.384 metros originais, agora divididos em 16 curvas, seis configurações possíveis de traçado, duas variantes e duas entradas de boxes. A área total construída chega a 15.592 metros quadrados.

A revitalização foi dividida em três fases. A primeira prestes a ser inaugurada, concentrou os investimentos de R$ 60 milhões na pista, drenagem, terraplanagem e áreas de segurança. A segunda etapa, prevista para 2026, entregará 40 novos boxes, o kartódromo e um centro médico.

A terceira fase inclui lojas, áreas comerciais, espaços para eventos e o futuro Museu do Automobilismo. A reforma completa deve ultrapassar R$ 100 milhões.

Reabertura e programação oficial

A reinauguração está marcada para 30 de novembro, com a penúltima etapa da Stock Car 2025 e show de Bell Marques.


A programação começa dias antes:

  • 27/11: desfile de carros pelas ruas de Brasília

  • 28/11: visitação de estudantes da rede pública

  • 29/11: treino e corrida sprint

  • 30/11: evento principal

Os ingressos serão gratuitos, disponibilizados pelo BRB.
O GDF confirmou a ampliação do Vai de Graça para o sábado (29), garantindo transporte público sem cobrança de tarifa para facilitar o acesso ao autódromo.

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