O Distrito Federal passou a contar com uma biofábrica de mosquitos wolbitos, iniciativa da Secretaria de Saúde (SES-DF) voltada para reduzir a transmissão da dengue e de outras arboviroses. No local, o processo funciona como em uma fábrica convencional: os ovos chegam, são preparados e depois distribuídos. A diferença está no resultado final — mosquitos Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia, que impede a multiplicação dos vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
De acordo com especialistas, a técnica é segura e não representa riscos. A Wolbachia já está presente em diversos insetos, como as abelhas, sem causar danos aos seres humanos ou ao meio ambiente. Além de inofensiva, a bactéria atua bloqueando a capacidade de o vírus se desenvolver no organismo do mosquito.
Na biofábrica, os ovos dos “mosquitos amigos”, vindos de Curitiba (PR), passam por um processo de incubação em ambiente controlado, entre sete e 14 dias, até se tornarem adultos. Depois, os recipientes com os insetos são transportados para diferentes regiões do DF e municípios vizinhos, como Luziânia e Valparaíso (GO), onde são liberados no ambiente.
Uma vez soltos, os wolbitos se reproduzem com os mosquitos selvagens, transmitindo a bactéria às gerações seguintes. Quando um macho infectado cruza com uma fêmea comum, não há nascimento de filhotes, o que contribui para a substituição da população transmissora.
A expectativa da Secretaria de Saúde é que, com o tempo, a população de mosquitos infectados cresça de forma natural e sustentável, reduzindo de maneira significativa os focos de transmissão das doenças.