Um dos maiores empreendimentos públicos já construídos pelo Distrito Federal está prestes a cumprir a função para a qual foi criado. O Governo do Distrito Federal iniciou o processo de ocupação do Centro Administrativo do DF (CAD-DF), em Taguatinga, estrutura entregue há mais de uma década, mas que permaneceu sem utilização plena durante todo esse período.
O anúncio foi detalhado nesta terça-feira (9) pela governadora Celina Leão (PP), que destacou os impactos financeiros e administrativos da medida.
Segundo ela, a concentração de órgãos públicos no complexo permitirá reduzir despesas com aluguel e tornar a máquina pública mais eficiente. “Durante muito tempo, vimos um patrimônio público pronto sem cumprir sua finalidade. Não é razoável manter o governo espalhado em imóveis alugados enquanto existe uma estrutura capaz de abrigar as secretarias. Estamos corrigindo uma distorção histórica”, afirmou.
A mudança ocorrerá de forma gradual ao longo dos próximos três meses. Na fase inicial, o governo utilizará cerca de 31% da capacidade total do empreendimento. Entre os primeiros órgãos que serão transferidos estão a Secretaria de Obras, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), a Secretaria de Governo, a Secretaria do Meio Ambiente, a Secretaria de Transporte e Mobilidade, o DF Legal, a Casa Civil, a Casa Militar e o gabinete da governadora.
A expectativa da administração é economizar aproximadamente R$ 1 bilhão ao longo de cinco anos com a redução dos gastos relacionados à locação de imóveis utilizados atualmente pelo governo. “O recurso que hoje é destinado ao pagamento de aluguel poderá ser investido em áreas que impactam diretamente a vida da população. É uma medida que une responsabilidade fiscal e eficiência administrativa”, ressaltou Celina.
Nova dinâmica para Taguatinga
Além dos reflexos nas contas públicas, a ocupação do CAD-DF deve alterar a dinâmica econômica da região. A presença de milhares de servidores e cidadãos que circulam diariamente pelos órgãos públicos tende a ampliar a movimentação do comércio e dos serviços locais.
Para acompanhar esse crescimento, o governo já prevê investimentos em mobilidade urbana. Entre as propostas estão a construção de uma nova estação rodoviária próxima ao complexo, melhorias viárias, a ampliação da integração com o transporte público e projetos voltados à expansão da infraestrutura de deslocamento na região.
“Taguatinga e Ceilândia têm enorme potencial de crescimento. A chegada definitiva do Centro Administrativo certamente contribuirá para fortalecer esse desenvolvimento”, afirmou a governadora.
Estrutura passa por adequações
Antes da chegada dos servidores, o complexo recebe uma série de intervenções de manutenção e preparação. As equipes técnicas realizam reparos em áreas comuns, recuperação de calçadas, revisão dos sistemas prediais, manutenção dos elevadores e melhorias no paisagismo.
De acordo com o governo, os investimentos previstos nesta etapa são voltados apenas para as adequações necessárias ao funcionamento dos blocos que serão ocupados, sem a realização de grandes obras ou gastos considerados extraordinários.
A ocupação tornou-se possível após a emissão do Relatório de Impacto de Trânsito (RIT) e a obtenção do Habite-se referente à utilização parcial da estrutura.
Para o Executivo local, a entrada em funcionamento do CAD-DF representa o encerramento de um capítulo marcado por disputas judiciais e entraves administrativos que impediram, por anos, a utilização integral do complexo. “Mais do que uma mudança física de endereço, estamos iniciando uma nova etapa para a administração pública do Distrito Federal, com mais integração, mais eficiência e melhor aproveitamento dos recursos públicos”, concluiu Celina.
