O futuro do BRB deixou de ser apenas um tema técnico e passou a ocupar o centro da disputa política no Distrito Federal. Setores que fazem oposição ao governador Ibaneis Rocha intensificaram, nos últimos dias, a defesa de propostas que vão desde a transferência do controle do banco à União até cenários que colocam em dúvida a continuidade do modelo atual da instituição.
Dentro do governo, a movimentação é interpretada como uma tentativa de reduzir o papel do banco público na engrenagem financeira do DF. Mais do que uma instituição bancária, o BRB é tratado pelo Executivo como instrumento estratégico na sustentação de políticas públicas, na gestão de fluxos financeiros e na autonomia administrativa do Distrito Federal.
A pressão ganhou novo fôlego após a atuação do corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, que solicitou esclarecimentos a tribunais de Justiça sobre operações mantidas com o BRB. A iniciativa, encaminhada no âmbito do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), envolve contratos relacionados à administração de depósitos judiciais e ao processamento de folhas de pagamento.
No meio técnico, o movimento gerou desconforto por tratar de temas tradicionalmente vinculados à esfera de regulação do Banco Central. A eventual revisão dessas parcerias institucionais poderia afetar diretamente uma das principais fontes de previsibilidade financeira do banco.
Hoje, recursos vinculados a tribunais de diferentes estados, além do próprio DF, funcionam como base relevante de liquidez para a instituição. Qualquer redirecionamento desses fluxos teria impacto direto sobre sua capacidade operacional.
Em resposta ao cenário, o BRB apresentou ao Banco Central um conjunto de medidas voltadas ao fortalecimento de sua estrutura, incluindo a alienação de ativos, a busca por novas fontes de capitalização e tratativas envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Internamente, a avaliação é de que parte das pressões enfrentadas atualmente está relacionada a compromissos assumidos em operações anteriores envolvendo o Banco Master.
No núcleo político do governo distrital, cresce a percepção de que a discussão sobre federalização ultrapassa o campo administrativo. A eventual perda de controle sobre o BRB é vista como um fator que poderia reduzir a capacidade do DF de operar instrumentos financeiros próprios e limitar sua margem de decisão na execução de políticas públicas que dependem desse suporte.
