Sessão de cinema transforma rotina de pacientes em unidades de saúde do DF

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Em um ambiente marcado por protocolos, exames e rotinas que muitas vezes reduzem a experiência do paciente à lógica do tratamento, uma iniciativa buscou abrir espaço para algo pouco comum dentro da jornada hospitalar. Nesta terça-feira (24), usuários atendidos em unidades do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) participaram de uma sessão de cinema promovida pelo projeto Humanizar.

A proposta foi interromper, ainda que temporariamente, o ciclo contínuo de consultas e procedimentos e oferecer aos participantes um momento que os reconectasse à própria identidade para além da condição de pacientes.

O impacto aparece no relato de quem vive a rotina do cuidado. Atendida no Hospital de Base, a paciente Lucivânia Machado afirmou que a experiência ultrapassou o entretenimento. “Quando a doença chega, tudo passa a girar em torno do hospital. Participar de uma atividade como essa ajuda a lembrar que a vida não se resume ao tratamento e fortalece a forma como lidamos com esse processo”, disse.

A ação reuniu pacientes adultos, acompanhantes, voluntários e profissionais envolvidos nas estratégias de humanização. Antes da exibição do filme, o grupo participou de um momento de integração pensado para reduzir a sensação de isolamento que costuma acompanhar longos períodos de atendimento.

De acordo com a chefe do Núcleo de Humanização do IgesDF, Letícia Ângelo, a sessão faz parte de um conjunto de iniciativas que buscam ampliar o cuidado para além da dimensão estritamente clínica. “Já realizamos atividades voltadas aos colaboradores e ao público pediátrico. Agora ampliamos para pacientes adultos e seus acompanhantes, porque o enfrentamento do tratamento não acontece de forma individual”, explicou.

Na avaliação da auxiliar de humanização do Hospital Regional de Santa Maria, Hildayane Saraiva, experiências culturais têm efeito direto na forma como o paciente atravessa o processo terapêutico. “Esses momentos aliviam a carga emocional e fazem com que a pessoa se sinta acolhida de maneira integral, não apenas sob o olhar técnico”, afirmou.

Realizada em parceria com a rede Kinoplex, a sessão exibiu a animação Zootopia 2, escolhida pela linguagem acessível e pelo potencial de promover leveza em um contexto normalmente associado à tensão.

Para Letícia, ações desse tipo reafirmam uma compreensão mais ampla do que significa cuidar. “O diagnóstico não anula quem o paciente é. Humanizar também envolve criar situações em que ele possa se reconhecer fora do papel de doente”, destacou.

Ao final da atividade, o retorno dos participantes indicou que a iniciativa alcançou seu objetivo. Para Lucivânia, o efeito permanece mesmo após o término da sessão. “Momentos assim ajudam a enfrentar o tratamento com mais força e com outra perspectiva.”

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