O Governo do Distrito Federal entra em uma nova fase político-administrativa com o avanço do processo de desincompatibilização de gestores que pretendem disputar as eleições de 2026. Desde o fim de 2025, reuniões internas e articulações estratégicas vêm sendo conduzidas para organizar uma transição planejada, com foco na continuidade dos serviços públicos e na preservação da estabilidade administrativa.
A diretriz partiu diretamente do governador Ibaneis Rocha (MDB), que estabeleceu o dia 4 de abril como prazo final para que secretários, subsecretários, administradores regionais e dirigentes de autarquias deixem seus cargos. Na mesma data, o próprio governador deverá se afastar oficialmente do comando do Executivo local para concorrer a uma vaga no Senado Federal.
Após quase sete anos à frente do Palácio do Buriti, Ibaneis conduz o processo de forma cautelosa, buscando preservar os resultados da gestão e evitar descontinuidades em áreas consideradas estratégicas. A orientação interna é garantir que a transição ocorra sem impacto na execução das políticas públicas nem no funcionamento da máquina administrativa.
Com o afastamento do governador, a vice-governadora Celina Leão (PP) assumirá interinamente o comando do GDF. Caberá a ela a nomeação dos novos titulares das pastas que serão desocupadas, o que amplia seu protagonismo político e reforça seu papel como principal liderança do grupo governista e pré-candidata à sucessão no Executivo local.
Levantamento do Radar DF aponta que o movimento de desincompatibilização deve atingir um número expressivo de gestores. A estimativa é de que pelo menos 15 secretários de Estado, dois subsecretários e seis administradores regionais, além de dirigentes de autarquias, deixem seus postos para disputar cargos eletivos no próximo pleito.
Nos bastidores, a avaliação é de que parte dos atuais gestores deve sugerir nomes técnicos e politicamente alinhados para a sucessão interna, com o objetivo de assegurar a continuidade administrativa. As indicações, no entanto, dependerão do aval final da vice-governadora, que passa a exercer papel central na reorganização da estrutura do governo.
Aliados avaliam que o processo busca equilibrar dois objetivos centrais: manter o funcionamento pleno da administração pública e fortalecer o projeto político do grupo no poder. A leitura interna é de que a desincompatibilização não fragiliza a gestão, mas promove uma renovação controlada, preservando a governabilidade.
Com índices de aprovação superiores a 60%, o grupo liderado por Ibaneis Rocha aposta na transferência de capital político para novas candidaturas e na consolidação de Celina Leão como principal nome da base governista na disputa pelo Governo do Distrito Federal em 2026.
Gestores que devem se desincompatibilizar
Secretarias de Estado
-
Gustavo Rocha – Casa Civil
-
José Humberto (Pesão) – Governo
-
Marcela Passamani – Justiça
-
Ana Paula Marra – Desenvolvimento Social
-
Valter Casimiro – Obras
-
Cristian Viana – Entorno do DF
-
Giselle Ferreira – Mulher
-
Rodrigo Delmasso – Família
-
André Kubitschek – Juventude
-
Gilvan Máximo – Defesa do Consumidor
-
Cristiano Araújo – Turismo
-
Cláudio Abrantes – Cultura
-
Hélvia Paranaguá – Educação
-
Sandro Avelar – Segurança Pública
-
Agaciel Maia – Relações Institucionais
Subsecretarias
-
Renata D’Aguiar – Promoção das Mulheres
-
Sandra Faraj – Transformação Tecnológica
Administrações Regionais e Autarquias
-
Bispo Renato – Taguatinga
-
Telma Rufino – Arniqueira
-
Gustavo Aires – Cruzeiro
-
Marcelo Trator – Lago Norte
-
Reginaldo Sardinha – Sudoeste
-
Aderivaldo Cardoso – Jardim Botânico
-
Rôney Nemer – Ibram
-
Carlos Dalvan – Recanto das Emas
