IgesDF inaugura Complexo de Telessaúde e inicia teleconsulta pediátrica no DF

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O atendimento pediátrico nas unidades de pronto atendimento do Distrito Federal entra, a partir desta quarta-feira (21), em uma nova fase. Crianças atendidas na UPA do Recanto das Emas passam a contar, pela primeira vez, com teleconsulta pediátrica dentro da rede pública, serviço que estreia junto com a inauguração do primeiro Complexo de Telessaúde do DF, implantado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IgesDF).

A iniciativa responde ao aumento da demanda por atendimentos infantis nas UPAs e aposta na tecnologia para agilizar o cuidado, reduzir o tempo de espera e ampliar o acesso a médicos especialistas, especialmente nos casos de menor complexidade.

Com a entrada do novo serviço, a UPA do Recanto das Emas torna-se a sétima unidade do Distrito Federal a operar com ferramentas de telessaúde entre as 13 administradas pelo IgesDF. A estratégia amplia a cobertura do modelo remoto e reforça a descentralização da assistência, sem substituir o atendimento presencial quando necessário.

Segundo o presidente do IgesDF, Cleber Monteiro, o avanço representa uma mudança estrutural na prestação do cuidado. “Estamos usando a tecnologia para aproximar o especialista do paciente, reduzir gargalos e tornar o atendimento mais eficiente e resolutivo dentro do SUS”, afirma.

Complexo centraliza operações e organiza o atendimento remoto

Inaugurado nesta quarta-feira, o Complexo de Telessaúde foi estruturado para coordenar todas as modalidades de atendimento remoto da rede. O espaço conta com 14 baias individuais, projetadas para garantir privacidade, controle acústico e estabilidade tecnológica, requisitos essenciais para a realização de consultas por vídeo em regime contínuo.

A arquiteta responsável pelo projeto, Maria Fernanda Garcia, explica que o desenho do ambiente priorizou o desempenho operacional. “Cada estação foi planejada para evitar interferências sonoras e visuais, assegurando concentração e confidencialidade durante os atendimentos”, destaca.

Além da teleconsulta realizada nas UPAs, o modelo inclui a teleinterconsulta, que conecta médicos da linha de frente a especialistas dos hospitais da rede IgesDF, agilizando diagnósticos e decisões clínicas.

Para a gerente de Comando Estratégico do instituto, Lillian Santos, a centralização das atividades fortalece a governança assistencial. “Com protocolos claros, indicadores e rastreabilidade, o complexo melhora a tomada de decisão e amplia a resolutividade da rede”, avalia.

O planejamento do espaço envolveu áreas assistenciais, tecnologia da informação, engenharia, gestão e comunicação institucional. No local, ficam concentradas as operações de teleconsulta, teleinterconsulta e telessuporte, garantindo padronização dos processos e capacidade de expansão do serviço.

Números mostram impacto direto nas UPAs

Entre maio de 2025 e janeiro de 2026, o serviço de teleconsulta registrou 13.618 atendimentos na rede pública do DF. O maior volume ocorreu em outubro de 2025, com 2.247 consultas, indicando consolidação do modelo.

As unidades com maior número de atendimentos foram as UPAs do Gama (3.555), Ceilândia II (3.463), Vicente Pires (3.433), Ceilândia (1.357), Samambaia (1.127) e São Sebastião (683). O perfil dos usuários aponta predominância feminina, com 8.052 atendimentos, frente a 5.566 do público masculino, além de maior concentração na faixa etária entre 14 e 39 anos.

Na prática, pacientes com quadros de menor complexidade passam por avaliação remota e, quando indicado, recebem alta sem necessidade de atendimento presencial, reduzindo filas e tempo de permanência nas unidades.

Especialistas mais próximos e decisões mais rápidas

A teleinterconsulta, reestruturada em 2025, tem ampliado o suporte clínico às UPAs e hospitais do IgesDF. Médicos conseguem acessar especialistas do Hospital de Base, Hospital de Santa Maria e Hospital Cidade do Sol em tempo oportuno, evitando transferências desnecessárias.

Na nefrologia do Hospital Cidade do Sol, foram realizadas 501 avaliações em 57 dias, com resolução conservadora em 73% dos casos. Já na hematologia, o intervalo entre a suspeita clínica e a confirmação do diagnóstico foi reduzido de semanas para menos de 24 horas.

Para a chefe do Núcleo de Inovação e Saúde Digital do IgesDF, Amandha Dias, a consolidação do complexo eleva o padrão assistencial. “A integração das modalidades de teleassistência torna as decisões mais rápidas, fortalece a comunicação entre as unidades e garante um cuidado mais seguro à população”, afirma.

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