O período de maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) levou a Secretaria de Saúde do Distrito Federal a reforçar, neste ano, a proteção de bebês que nasceram em condição de prematuridade extrema. Crianças que iniciaram o uso do palivizumabe em 2025 já podem retornar à rede pública para completar o esquema de aplicação durante a sazonalidade de 2026.
O atendimento está concentrado em oito unidades da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e ocorre até o fim de julho, prazo que encerra o período mais crítico para o surgimento de bronquiolite e outras infecções respiratórias graves. O reforço segue as normas do Ministério da Saúde e não prevê ampliação do calendário.
A pediatra Juliana Queiroz, que atua como referência técnica distrital, avalia que a continuidade da imunização é determinante para reduzir riscos clínicos em bebês prematuros. Segundo ela, crianças que nasceram muito antes do tempo esperado apresentam maior chance de evolução desfavorável quando expostas ao vírus. “A proteção adicional oferecida pelo palivizumabe diminui a possibilidade de agravamento e ajuda a evitar internações longas nesse grupo tão sensível”, afirma.
Para famílias que convivem com as consequências da prematuridade, o reforço representa segurança em um período de maior atenção. Mãe de Mathias, que nasceu com 28 semanas de gestação, Amanda Carolina de Sousa relata que o receio de infecções respiratórias faz parte da rotina desde a alta hospitalar. “Qualquer quadro respiratório simples pode se tornar algo sério. Ter acesso a essa prevenção traz um pouco mais de tranquilidade para quem já vive em alerta constante”, diz.
A aplicação do medicamento depende de prescrição e relatório médico atualizados, com informações clínicas recentes e dados sobre a condição de nascimento da criança. O estoque disponível na rede pública soma 460 doses, distribuídas conforme o peso do bebê. As aplicações são mensais e podem chegar a cinco doses, respeitando o limite de idade estabelecido.
De acordo com a gerente substituta de Assistência Farmacêutica Especializada da secretaria, Júlia Dantas, a expectativa é atender um público reduzido, já que a ação se restringe à conclusão dos esquemas iniciados no ano anterior. “A estimativa é alcançar cerca de 60 crianças neste ciclo, número compatível com a disponibilidade de doses”, explica.
Paralelamente ao reforço do palivizumabe, a Secretaria de Saúde também iniciou a aplicação do nirsevimabe, ampliando a cobertura contra o VSR. O novo medicamento está sendo oferecido a bebês nascidos com até 36 semanas e seis dias de gestação e a crianças de até dois anos com comorbidades, com aplicação prevista até o início de agosto.
A mudança marca uma transição gradual na política de prevenção. “Ao longo dos últimos anos, os resultados mostram que a proteção precoce reduz significativamente os casos graves em crianças pequenas, principalmente durante os meses de maior circulação do vírus”, pontua Juliana Queiroz.
