DF amplia rede de proteção animal e ultrapassa 160 mil atendimentos veterinários

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O Distrito Federal vem redesenhando a forma como lida com a proteção animal. O que antes era marcado por iniciativas pontuais passou a funcionar como uma política pública contínua, com estrutura própria, serviços integrados e presença cada vez mais ampla nas regiões administrativas.

Essa transformação ganhou força com a criação da Secretaria Extraordinária de Proteção Animal (Sepan-DF), em 2024, responsável por organizar e dar escala às ações voltadas ao tema. A partir daí, o governo passou a atuar de forma mais coordenada, conectando atendimento veterinário, castração, identificação, educação e apoio a protetores dentro de uma mesma estratégia.

Os efeitos já são visíveis na rede pública. Desde 2019, o Hospital Veterinário Público acumulou mais de 160 mil atendimentos. O crescimento ao longo dos anos indica uma mudança de cenário: o serviço, antes limitado, passou a absorver uma demanda crescente e a se consolidar como alternativa real para a população.

À frente da secretaria, Cristiano Lopes da Cunha afirma que a reorganização da política permitiu sair de ações emergenciais para um modelo mais previsível e estruturado. “Com uma secretaria dedicada, conseguimos trabalhar com mais planejamento e dar continuidade às ações, sem depender de medidas pontuais”, afirma. Segundo ele, o aumento da procura acompanha a melhoria da estrutura. “O crescimento no número de atendimentos mostra que a população passou a confiar mais no serviço e encontrou uma rede mais acessível”, completa.

Um dos principais eixos dessa política é o controle populacional. O programa Castra DF já soma mais de 80 mil procedimentos realizados entre 2019 e 2025, em diferentes formatos de atendimento. Além das campanhas e dos agendamentos on-line, a estratégia inclui ações voltadas a locais com grande número de animais e parcerias com clínicas.

Em 2025, o programa avançou com uma frente itinerante que percorreu regiões do DF e realizou 5 mil cirurgias. A experiência também levou à criação de espaços para acolhimento temporário de animais no pós-operatório, ampliando as chances de recuperação e de adoção.

Outro ponto de inflexão foi o reconhecimento do trabalho de protetores independentes. Com a criação de um programa específico, o governo passou a oferecer suporte direto por meio de cartões que ajudam a custear alimentação e procedimentos. “A ideia foi abrir diálogo com quem já atua na ponta e entender, de fato, quais são as maiores dificuldades enfrentadas no dia a dia”, explica o secretário. “Não basta só cobrar responsabilidade, é preciso dar condições para que esse cuidado aconteça”, acrescenta.

A expansão da rede também passa pela descentralização. Além da unidade fixa em Taguatinga Norte, o DF implementou um hospital veterinário móvel, que leva atendimento a regiões com menor cobertura. A estrutura permanece por meses em cada localidade, reduzindo distâncias e ampliando o acesso.

O alcance dessas ações pode ser medido em histórias concretas. Durante a pandemia, uma cadela foi encontrada em estado crítico e levada ao hospital público. A mulher responsável pelo resgate lembra que a situação era grave e sem perspectiva. “Ela estava muito debilitada, parecia não ter chance. Sem aquele atendimento, eu não teria como salvá-la”, conta.

Após o tratamento, o animal se recuperou e passou a viver sob os cuidados da nova tutora. Hoje saudável, a cadela é acompanhada regularmente pela rede pública. “Sempre fui bem atendida, os profissionais são preparados e a estrutura me surpreendeu. Para mim, fez toda a diferença”, relata.

Ao consolidar programas, ampliar o atendimento e integrar diferentes frentes, o Distrito Federal avança para um modelo mais consistente de proteção animal. A mudança indica não apenas a expansão de serviços, mas uma nova forma de encarar o tema, como parte da política pública e da dinâmica urbana, e não mais como uma ação isolada.

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