A encenação da Paixão de Cristo em Planaltina ganhou novos contornos em 2026 e reafirmou seu lugar como um dos maiores eventos religiosos do país. Na 53ª edição da Via-Sacra ao Vivo, realizada nesta Sexta-feira da Paixão (3), o público que tomou o Morro da Capelinha encontrou uma estrutura mais robusta, organização elogiada e um espetáculo marcado pela emoção do início ao fim.
Com o tema inspirado na mensagem de Nossa Senhora de Guadalupe, “Nada te aflija! Não estou aqui, eu que sou tua mãe?”, a apresentação conduziu os fiéis por uma jornada de reflexão e esperança, recriando os últimos momentos de Jesus Cristo em um percurso de cerca de 800 metros. A cada estação, silêncio, oração e comoção tomavam conta da plateia.
A presença da governadora Celina Leão reforçou o peso institucional do evento neste ano. Ao acompanhar a encenação, ela destacou o esforço do Governo do Distrito Federal em garantir não apenas a continuidade da tradição, mas também a melhoria da experiência do público. “Estamos falando de um patrimônio cultural e de fé do nosso povo. Nosso papel é assegurar que ele aconteça com dignidade, segurança e, cada vez mais, estrutura para quem participa”, afirmou.
O investimento de R$ 1,7 milhão viabilizou uma operação integrada que envolveu diversas áreas do governo. Segurança reforçada, controle de tráfego, apoio logístico e atendimento emergencial fizeram parte do planejamento. A atuação conjunta de órgãos como a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, o Detran-DF e a Caesb contribuiu para que o evento ocorresse de forma organizada e sem registros de incidentes.
No palco natural do morro, o espetáculo reuniu cerca de 1,4 mil voluntários, entre elenco e equipes de apoio. A dimensão da produção evidencia o nível de profissionalização alcançado ao longo dos anos, sem perder o caráter comunitário que marca a história da Via-Sacra. Pelo terceiro ano consecutivo, o ator Rafael Gonçalves interpretou Jesus, em uma atuação intensa que conduziu o público por momentos de dor, sacrifício e fé.
Para quem participou, a experiência vai além da contemplação. É um encontro pessoal com a espiritualidade e, muitas vezes, uma tradição familiar. A vigilante Juliana Gomes, por exemplo, levou a filha pela primeira vez e descreveu o momento como um marco. “Queria que ela vivenciasse isso de perto, entendesse o significado. É diferente de tudo, mexe com a gente”, relatou.
A aposentada Eremita dos Santos também fez questão de estar presente mais uma vez. Aos 75 anos, ela saiu de Samambaia acompanhada da família e destacou a evolução do evento. “A cada ano está melhor. A gente percebe cuidado com tudo, principalmente com a segurança. Dá tranquilidade para vir e aproveitar”, disse.
Criada em 1986 e reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal desde 2008, a Via-Sacra de Planaltina foi idealizada pelo padre Aleixo Susin. Hoje, o evento integra oficialmente o calendário da cidade e segue crescendo com o apoio do poder público.
Mais do que uma encenação, a Via-Sacra se consolida como um símbolo de identidade e pertencimento. E, com o reforço estrutural e institucional dos últimos anos, a tendência é que o espetáculo continue ampliando seu alcance, mantendo viva uma tradição que mobiliza gerações.
