Nelson Souza vê ponto de virada para o BRB após acordo homologado pelo STF

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A direção do Banco de Brasília (BRB) acredita que o acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pode representar o fim da turbulência enfrentada pela instituição nos últimos meses. A avaliação é do presidente do banco, Nelson Souza, que vê na solução construída entre o Governo do Distrito Federal, a União e o sistema financeiro um ponto de virada para a estatal.

O entendimento foi fechado na quinta-feira (28), durante audiência de conciliação conduzida pelo ministro Luiz Fux. Para a administração do BRB, a medida abre caminho para a recuperação da confiança de investidores e correntistas, além de criar condições para a execução de uma estratégia de longo prazo voltada ao fortalecimento da instituição. “Estamos diante de uma oportunidade de reposicionar o banco e criar um ambiente mais estável para os próximos anos”, afirmou o presidente, em entrevista ao CB.Poder nesta sexta-feira (29).

A operação prevê a mobilização de cerca de R$ 6,6 bilhões por meio de uma estrutura que reúne o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), instituições financeiras privadas e receitas públicas utilizadas como garantia. O montante corresponde a aproximadamente 16% da Receita Corrente Líquida do Distrito Federal.

Pelo modelo negociado, o FGC fornecerá os recursos ao GDF, enquanto grandes bancos atuarão como fiadores da operação. Como mecanismo de proteção, entram na estrutura financeira receitas vinculadas ao Fundo de Participação dos Estados (FPE) e ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM). “É uma solução construída com o apoio de importantes agentes do mercado financeiro, o que reforça a confiança na capacidade de recuperação do banco”, destacou.

Os efeitos da conciliação, segundo a direção da instituição, já começam a aparecer. A percepção do mercado em relação ao BRB melhorou após o avanço das negociações, movimento que teria contribuído para a volta de clientes que haviam reduzido sua exposição ao banco durante o período de incerteza. “Muitas pessoas aguardavam uma definição antes de tomar decisões. Agora, o cenário é diferente, e isso tem impacto direto sobre a liquidez da instituição”, disse.

Além da solução financeira, o acordo prevê a apresentação de um plano de negócios que deverá demonstrar a capacidade do banco de ampliar receitas, manter o equilíbrio financeiro e cumprir as obrigações assumidas.

A operação terá prazo de 15 anos para pagamento, com carência de 18 meses. As condições definitivas ainda dependem da negociação das taxas de juros, que deverão ser definidas entre as partes envolvidas.

Para o presidente do BRB, o desafio agora é transformar a estabilidade conquistada em crescimento sustentável. “O próximo passo é mostrar que o banco tem capacidade de gerar resultados e consolidar essa nova fase”, afirmou.

Na avaliação da direção da instituição, o acordo cria as condições necessárias para que o BRB retome projetos de expansão e fortaleça sua posição no mercado financeiro nos próximos anos.

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