O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro vai sair do papel em 2026. Após a Secretaria de Cultura comunicar o cancelamento da 59ª edição por falta de recursos, a governadora Celina Leão (PP) anunciou, na terça-feira (11), que determinou a liberação da verba necessária para garantir a realização do evento.
A confirmação foi feita pela própria governadora nas redes sociais. Segundo Celina, a Secretaria de Economia deverá providenciar os recursos necessários para viabilizar a programação. Ela também informou que pretende receber os responsáveis pelo festival ainda nesta semana para discutir a organização da edição.
A reviravolta ocorre um dia depois de a Secretaria de Cultura e Economia Criativa comunicar às entidades do setor audiovisual que o festival, previsto para setembro, não seria realizado. A decisão havia sido tomada após reunião entre o secretário Fernando Modesto e representantes das organizações da sociedade civil envolvidas na produção do evento e na administração do Cine Brasília.
O impasse financeiro já vinha sendo acompanhado pelo setor. Na sexta-feira (7/8), a Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API) encaminhou um ofício à governadora pedindo providências para a liberação de recursos destinados ao festival e a regularização de pagamentos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC).
A entidade havia alertado para o risco de interrupção do festival e também demonstrado preocupação com a situação do Cine Brasília. No documento, a associação citou ainda a possibilidade de o Distrito Federal deixar de receber cerca de R$ 30 milhões em investimentos federais relacionados ao audiovisual.
As inscrições para as mostras da 59ª edição foram abertas em março e permaneceram disponíveis até maio. Com a retomada do evento, a organização deverá agora ajustar o planejamento para manter a realização em setembro.
Seis décadas de história
O Festival de Brasília é um dos principais eventos do calendário cultural do Distrito Federal e tem a trajetória mais longeva entre os festivais de cinema do país. Criado há seis décadas, tornou-se um espaço tradicional para o lançamento e a premiação de produções brasileiras.
A marca de 60 anos foi celebrada na 58ª edição, considerando a interrupção de três anos ocorrida durante a década de 1970. Na ocasião, o festival teve programação especial e recebeu produções e nomes de destaque do cinema nacional.
O longa “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, abriu a edição comemorativa. Já “Futuro Futuro”, dirigido por Davi Pretto, conquistou o principal prêmio da edição mais recente, que também contou com a participação de artistas como Alice Carvalho e Maria Fernanda Cândido.
