Três escolas públicas do Distrito Federal vão ganhar sistemas de energia solar fotovoltaica após se destacarem com projetos voltados à sustentabilidade e à aproximação dos estudantes com o meio ambiente. As unidades, localizadas no Riacho Fundo, foram selecionadas em uma iniciativa que reuniu trabalhos de instituições de ensino de diferentes regiões do país.
O reconhecimento faz parte do #EntreNoClima por uma Educação Baseada na Natureza, iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), implementada pelo Instituto Alana em parceria com a Neoenergia.
A instalação dos equipamentos solares representa mais do que uma melhoria na estrutura das unidades. A expectativa é que a tecnologia também seja incorporada às atividades pedagógicas, permitindo que temas como geração de energia limpa, eficiência energética e uso responsável dos recursos naturais sejam trabalhados a partir da própria realidade das escolas.
Ao todo, 169 projetos foram inscritos na seleção, envolvendo instituições públicas do Distrito Federal, de Salvador, do Recife e do Rio Grande do Norte. Após a primeira etapa de avaliação, 149 propostas foram consideradas elegíveis.
A análise levou em conta aspectos como consistência pedagógica, relação das iniciativas com o território e aplicação dos princípios da Educação Baseada na Natureza.
As experiências desenvolvidas no DF apostaram justamente nessa aproximação. Em vez de restringir a discussão ambiental à teoria, as escolas criaram atividades que colocam os estudantes em contato com questões presentes na região onde vivem.
Entre elas está o biomonitoramento de córregos da Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie) Granja do Ipê. A atividade utiliza a investigação e a observação do ambiente para ampliar o conhecimento dos alunos sobre recursos hídricos e conservação ambiental.
Outra iniciativa foi a Gincana da Sustentabilidade, que mobilizou a comunidade escolar em torno da destinação adequada de resíduos e do reaproveitamento de materiais.
No Pró-Vida Centro de Educação Infantil, o trabalho começa com crianças de apenas 2 anos. Até os 4 anos, os pequenos participam de atividades como cultivo da horta, separação de resíduos e práticas voltadas à economia de água.
Segundo a diretora Samantha Leite, a experiência tem provocado mudanças de comportamento que chegam às famílias. Há relatos de crianças que passaram a incentivar a separação de resíduos em casa e a cobrar dos pais atitudes mais sustentáveis. “Quando elas plantam, acompanham o desenvolvimento da horta, dão uma nova utilidade a materiais que seriam descartados ou trabalham juntas em um desafio, entendem que também têm capacidade de melhorar o lugar onde vivem”, afirma.
A Gincana da Sustentabilidade também terá um retorno direto para os estudantes. Parte dos recursos obtidos com os materiais arrecadados será usada para proporcionar um passeio cultural às crianças.
A relação com a energia limpa já faz parte do cotidiano do Pró-Vida, que possui placas solares e desenvolve orientações sobre consumo consciente. Com a nova premiação, a escola poderá reforçar essa estrutura e ampliar as possibilidades de uso da tecnologia no processo educativo.
O reconhecimento das unidades do Riacho Fundo mostra como ações relativamente simples da horta ao acompanhamento de córregos, podem transformar a sustentabilidade em conteúdo vivo nas escolas e estimular novos hábitos também fora delas.
