Celina Leão (PP) decidiu não transformar o impasse eleitoral de José Roberto Arruda (PSD) em assunto de sua campanha à reeleição. Nesta quinta-feira (20), durante passagem pelo Núcleo Bandeirante, a governadora do Distrito Federal foi questionada sobre a tentativa do Ministério Público Eleitoral de barrar a candidatura do ex-governador e evitou fazer qualquer avaliação sobre o caso.
A posição adotada por Celina foi de distanciamento. Ela afirmou que caberá à defesa de Arruda responder aos questionamentos apresentados à Justiça Eleitoral e ressaltou que pretende dedicar a campanha à própria atuação e às propostas que apresentará aos eleitores.
“Eu não gostaria de comentar a impugnação de outro candidato. Acho que quem tem que comentar é o advogado, o jurídico dele. Eu estou muito concentrada no meu trabalho. Ele tem uma batalha jurídica para enfrentar. Isso faz parte da história dele, não da minha”, declarou.
A manifestação ocorre em meio a uma nova disputa judicial envolvendo a participação de Arruda nas eleições deste ano. A Procuradoria Regional Eleitoral no Distrito Federal pediu que o registro apresentado pelo candidato do PSD seja rejeitado.
O ponto central da manifestação do Ministério Público está no prazo de inelegibilidade atribuído ao ex-governador. Para a Procuradoria, as mudanças feitas na Lei da Ficha Limpa não afastaram os efeitos das condenações que pesam contra Arruda.
O órgão considera que o período de impedimento eleitoral se estende até dezembro de 2030. Esse calendário cria outro obstáculo para o político além da eleição atual. Como o próximo pleito para o Governo do Distrito Federal será realizado em outubro de 2030, Arruda ainda estaria inelegível na data da votação.
Se a tese do Ministério Público for acolhida pela Justiça, a primeira eleição para o GDF que poderia contar novamente com Arruda seria a de 2034.
As condenações consideradas na impugnação estão relacionadas a desdobramentos da Operação Caixa de Pandora, investigação que expôs um esquema de corrupção envolvendo integrantes do poder público e empresas contratadas pelo governo local. Arruda comandava o Distrito Federal quando o caso veio à tona e foi preso em 2010.
A Procuradoria também defende que as diferentes condenações não podem ser tratadas como episódios conectados para efeito da contagem dos prazos, argumento que integra a tentativa de impedir o registro eleitoral.
Arruda, por outro lado, sustenta que reúne condições legais para disputar o Palácio do Buriti e deverá contestar a impugnação. Ao reagir à iniciativa do Ministério Público Eleitoral, resumiu sua posição em uma frase: “Quem não tem medo do voto enfrenta as urnas”.
Enquanto a controvérsia segue para análise da Justiça Eleitoral, Celina sinaliza que não pretende incorporar o processo do adversário ao discurso de campanha. No Núcleo Bandeirante, a governadora deixou a questão jurídica no campo de Arruda e direcionou sua manifestação para a continuidade da própria corrida eleitoral.
