GDF amplia estrutura e aposta na reintegração de pessoas em situação de rua

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A busca por alternativas capazes de ajudar pessoas em situação de rua a reconstruir a própria vida ganhou uma nova frente no Distrito Federal. Com uma rede que reúne mais de 1,2 mil vagas de acolhimento, o governo local passou a concentrar esforços não apenas na proteção imediata, mas também em ações voltadas à retomada da autonomia, à inserção no mercado de trabalho e à reconstrução dos vínculos familiares.

A mudança de abordagem está prevista na Lei nº 7.923/2026, que criou a Política Distrital de Acolhimento Humanizado e Atenção Integral à População em Situação de Rua. A legislação estabelece princípios como respeito à dignidade, autonomia e atendimento sem discriminação, além de prever acompanhamento que vá além da permanência temporária em unidades assistenciais.

Atualmente, a rede do Distrito Federal dispõe de 1.291 vagas de acolhimento institucional. Outras 400 oportunidades de pernoite são disponibilizadas diariamente em hotéis sociais. Os centros de atendimento, por sua vez, registram aproximadamente 1,6 mil atendimentos por mês.

Parte dessa estrutura está em expansão. A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) informou que o Serviço de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias do Areal deverá passar das atuais 150 vagas para 186.

Da assistência à reconstrução da autonomia

Um dos principais desafios é evitar que o acolhimento se limite a uma resposta temporária. Por isso, a política distrital inclui atendimento psicossocial continuado, capacitação profissional e encaminhamento para iniciativas habitacionais.

Quem passa pelas unidades também pode ser direcionado a benefícios e programas de moradia. Quando a pessoa tem familiares em outro estado e manifesta interesse em retornar, há a possibilidade de custeio do transporte para favorecer a retomada desses vínculos.

A geração de renda também integra esse processo. O RenovaDF reserva até 10% de suas oportunidades para pessoas encaminhadas pelos serviços sociais. Outra medida determina que pelo menos 2% das vagas de trabalho em obras públicas do Distrito Federal sejam destinadas à população em situação de rua.

As iniciativas buscam responder a uma realidade marcada por diferentes fatores e que nem sempre pode ser enfrentada apenas com a oferta de moradia temporária.

É o caso de Thais Gonçalves da Silva, de 37 anos. Há mais de duas décadas em situação de rua no Distrito Federal, ela relata uma trajetória marcada pelo uso de drogas e pelo afastamento da família. Mesmo tendo parentes e um local para onde poderia voltar, afirma que a dependência química acaba levando-a novamente às ruas.

Histórias como a de Thais evidenciam a complexidade de construir uma saída definitiva das ruas. Dependência de álcool e outras drogas, desemprego e rompimento dos vínculos familiares estão entre os fatores apontados pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) como agravantes da vulnerabilidade dessa população.

Levantamento divulgado pelo instituto, referente a 2022, contabilizou 2.938 pessoas em situação de rua no DF. O número incluía tanto pessoas que viviam nas ruas quanto aquelas que estavam em serviços de acolhimento e comunidades terapêuticas.

Uma atualização desse cenário está em elaboração. Em janeiro de 2025, o IPEDF realizou um novo censo nas 35 regiões administrativas da capital. Os resultados ainda não foram divulgados.

Enquanto os novos números não são apresentados, a ampliação da rede e das alternativas de reinserção busca enfrentar uma das etapas mais complexas desse processo: criar condições para que o acolhimento deixe de ser apenas uma resposta emergencial e se transforme em uma oportunidade efetiva de recomeço.

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