Caiado entra no radar para dois ministérios em eventual governo de Flávio
Apoio no segundo turno amplia aproximação entre os dois grupos e coloca ex-governador de Goiás nas articulações para Segurança Pública ou Agricultura; acordo, porém, não está confirmado
A adesão do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno abriu uma nova frente de articulação política em torno de uma eventual composição de governo. Nos bastidores, o nome do goiano passou a ser mencionado para comandar dois ministérios considerados estratégicos: Segurança Pública e Agricultura.
Segundo apuração do Metrópoles, Caiado recebeu sinalizações relacionadas às duas áreas. A movimentação ocorre em meio às negociações para ampliar a base política de Flávio nesta reta final da disputa presidencial e incorporar setores que estiveram em campos distintos durante o primeiro turno.
Apesar das conversas, não existe até o momento anúncio oficial de Flávio, de Caiado ou das campanhas confirmando qualquer compromisso envolvendo ministérios. Uma eventual nomeação dependeria, primeiro, do resultado das urnas em 25 de outubro e, posteriormente, das negociações para a formação do governo.
Segurança Pública coloca Caiado no centro das articulações
Entre as possibilidades discutidas, a Segurança Pública aparece como uma das áreas de maior afinidade política com a trajetória recente de Caiado.
O tema foi uma das principais vitrines de sua administração em Goiás e também ocupou espaço central em seu programa presidencial. Com isso, aliados de Flávio passaram a enxergar o ex-governador como um possível nome para assumir papel de destaque na política nacional de segurança.
A possibilidade já circulava antes mesmo do primeiro turno. Em 1º de outubro, a CNN Brasil informou que interlocutores da campanha de Flávio discutiam a hipótese de entregar o Ministério da Segurança Pública ao então adversário em uma eventual composição futura.
A discussão ganhou novo peso após Caiado formalizar apoio a Flávio, transformando uma antiga rivalidade eleitoral em uma aliança para o segundo turno.
Agricultura também entra nas negociações
Outra possibilidade colocada na mesa é o Ministério da Agricultura, área na qual Caiado possui histórica ligação política e profissional.
Produtor rural e com longa relação com entidades representativas do agronegócio, o ex-governador mantém interlocução com lideranças do setor e com integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Empresários ouvidos pelo Metrópoles consideram que esse histórico poderia credenciá-lo para a pasta.
Aliados de Flávio ouvidos pelo SBT News também passaram a mencionar Caiado entre os nomes avaliados para a Agricultura, indicando que as conversas sobre uma eventual participação do goiano no governo ultrapassam o campo da Segurança Pública.
Estratégia é evitar vincular apoio a cargo
Nos bastidores, entretanto, a orientação ao ex-governador seria de cautela.
De acordo com o Metrópoles, Caiado teria sido aconselhado a não responder neste momento a qualquer proposta relacionada a uma eventual participação no governo.
A preocupação política é evitar que sua adesão à candidatura de Flávio seja interpretada como resultado de uma negociação por espaço na Esplanada dos Ministérios.
O grupo caiadista procura, publicamente, separar o apoio eleitoral das discussões sobre cargos.
O ex-secretário-geral do Governo de Goiás e integrante da coordenação política do grupo, Adriano da Rocha Lima, afirmou não enxergar Caiado como alguém mobilizado pela busca de uma posição ministerial.
“Eu não vejo o Ronaldo Caiado como uma pessoa que almeje ser ministro”, declarou. Segundo ele, qualquer decisão sobre o futuro político do ex-governador caberá ao próprio Caiado.
Acordo programático aproxima os dois grupos
Se uma eventual participação no governo permanece indefinida, a negociação política entre os grupos já produziu um resultado concreto: a incorporação de propostas apresentadas por Caiado durante o primeiro turno.
Antes da oficialização do apoio, representantes do ex-governador entregaram a Flávio um documento com seis pontos considerados prioritários do programa de governo caiadista.
Segundo Adriano da Rocha Lima, Flávio concordou em incorporar essas propostas aos compromissos políticos de sua candidatura para o segundo turno.
“Hoje pela manhã foi apresentado um documento com seis itens ao Flávio Bolsonaro, que concordou com os itens, onde ele passa a assumir parte daquilo que era o programa de Ronaldo Caiado como parte do seu compromisso, caso seja eleito presidente da República”, afirmou.
Entre os temas confirmados estão segurança pública e combate à corrupção. Durante a campanha, Caiado também apresentou propostas relacionadas a políticas sociais, tecnologia, inteligência artificial, minerais críticos, educação e saúde, embora a íntegra dos seis pontos negociados não tenha sido divulgada.
Apoio em Goiânia reorganiza alianças
A nova configuração política foi oficializada na terça-feira (6), em Goiânia, quando Caiado anunciou publicamente seu apoio a Flávio no segundo turno.
O encontro reuniu também o governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), dando ao ato dimensão nacional e sinalizando uma articulação mais ampla entre lideranças do campo de apoio ao candidato do PL.
Durante o evento, Caiado afirmou que pretende participar diretamente da campanha e colocou sua experiência e articulação política à disposição para defender a candidatura em diferentes regiões do país.
O movimento marca uma mudança importante na relação entre Caiado e Flávio. No primeiro turno, os dois estiveram em lados opostos e disputaram diretamente a Presidência da República.
Caiado encerrou aquela etapa da eleição em quinto lugar, com 2.605.148 votos, equivalentes a 2,18% dos votos válidos.
Ministério ainda depende das urnas e da composição política
A aproximação entre os dois grupos coloca Caiado no centro das especulações sobre a formação de uma eventual administração de Flávio, mas a definição sobre ministérios permanece em aberto.
A composição de governo, além de depender do resultado eleitoral de 25 de outubro, envolveria negociações partidárias, construção de maioria política e acomodação das diferentes forças que integram a aliança do segundo turno.
Neste momento, o que está formalmente consolidado é o apoio de Caiado à candidatura de Flávio e o compromisso de incorporar parte das propostas apresentadas pelo ex-governador ao programa político da campanha.
As discussões sobre Segurança Pública e Agricultura revelam, contudo, que a aliança iniciada no segundo turno já começa a projetar seus possíveis desdobramentos para uma eventual montagem de governo.
