O comércio do Distrito Federal comemora o Dia do Comerciante, celebrado nesta quinta-feira (16), em um cenário de crescimento nas vendas e expectativa positiva para os próximos meses. Embalado pelo aumento da renda das famílias, pela redução do desemprego e pela recuperação do poder de compra, o setor projeta um segundo semestre mais movimentado, principalmente com a chegada de datas como a Black Friday e o Natal.
Os indicadores acompanham esse otimismo. Levantamento da Fecomércio-DF mostra que o setor de serviços, diretamente ligado ao desempenho do varejo, cresceu 8,6% no acumulado dos últimos 12 meses no Distrito Federal, percentual quase três vezes superior ao registrado no país. A melhora da atividade econômica também tem impulsionado o comércio, que registra aumento nas vendas em diferentes segmentos.
Entre os destaques estão os estabelecimentos de informática, comunicação e equipamentos para escritório, que tiveram crescimento de 43%. Também avançaram as vendas de produtos de uso pessoal e doméstico, além do setor farmacêutico e do comércio de veículos e motocicletas.
Na avaliação do presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido da Costa Freire, os resultados refletem um ambiente econômico mais favorável para empresários e consumidores. “O comércio do Distrito Federal vem mostrando capacidade de crescer mesmo diante de desafios. A melhora da renda e a geração de empregos fortaleceram o consumo e deram mais segurança para que as empresas continuem investindo. Hoje, vemos um setor mais preparado para responder rapidamente às mudanças do mercado”, afirma.
Apesar do cenário positivo, manter um negócio competitivo continua exigindo criatividade e capacidade de adaptação. No ramo de bares e restaurantes, por exemplo, conquistar clientes vai além da qualidade dos produtos.
Sócio do Boteco Boa Praça, Arthur Junior conta que o consumidor está mais atento à experiência oferecida pelos estabelecimentos e valoriza ambientes que proporcionem lazer e entretenimento. “As pessoas não procuram apenas um lugar para comer ou beber. Elas querem viver uma experiência completa. Por isso, investimos em programação musical, eventos e ações que aproximem o cliente da marca”, explica.
Segundo ele, outro desafio permanente é encontrar profissionais qualificados. “Capacitar a equipe deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade. Um atendimento bem feito faz toda a diferença para quem quer fidelizar clientes.”
O mercado de bem-estar também acompanha a mudança de comportamento dos consumidores. Em Brasília, empresas do segmento ampliaram a oferta de serviços para atender pessoas que buscam qualidade de vida, atividade física e saúde em um único espaço.
No Clube Coat, o diretor Luis Otávio Calvino afirma que a procura por esse tipo de serviço cresceu nos últimos anos e exigiu mudanças na gestão do empreendimento. “Hoje o cliente quer muito mais do que uma academia. Ele procura um ambiente que reúna esporte, saúde, convivência e diferentes serviços. O grande desafio é manter a qualidade em todas essas áreas e contar com profissionais preparados”, afirma.
Na moda, a transformação também passou pela integração entre o comércio físico e o digital. Proprietária da Clássico Closet, Suely Martins afirma que adaptar o negócio ao novo comportamento dos consumidores foi fundamental para manter a empresa competitiva. “O varejo mudou completamente. Hoje é preciso estar presente tanto na loja quanto no ambiente digital. O consumidor pesquisa, compara e espera praticidade. Quem não acompanha essa evolução acaba ficando para trás”, diz.
Mesmo após um primeiro semestre mais cauteloso, ela acredita que o período de maior consumo deve impulsionar os resultados até o fim do ano.
A confiança do empresariado também é apontada pelo Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que indica intenção de ampliar estoques, contratar funcionários e investir na expansão dos negócios.
Para a Fecomércio-DF, a tendência é que o comércio mantenha o ritmo de crescimento nos próximos meses, impulsionado por uma economia mais aquecida e por consumidores cada vez mais dispostos a voltar às compras.
