Complexo histórico de Brasília será reaberto com proposta cultural do Senado

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O Senado Federal prepara a reabertura de uma área histórica de Brasília que permaneceu fechada ao público por quase três décadas. Localizado às margens do Lago Paranoá, o antigo Clube do Servidor está sendo reformado para abrigar o Senado Cultural, um complexo dedicado a exposições e atividades educativas. A inauguração da primeira etapa está prevista para dezembro de 2026.

Com 80 mil metros quadrados, o espaço contará com ambientes voltados à história do Senado e à democracia, além de áreas externas destinadas ao lazer. O projeto inclui anfiteatro, playground, quadras esportivas e espaço para piqueniques. Também prevê a recuperação de estruturas que se deterioraram durante os anos em que o clube permaneceu sem funcionamento regular.

Um dos principais ambientes do futuro complexo será o salão de baile, que ficou conhecido por receber festas e apresentações musicais. O local está sendo adaptado para abrigar exposições, com melhorias na climatização, na cobertura e no isolamento acústico, além da instalação de sistemas de detecção e combate a incêndios.

A abertura será marcada pela estreia da exposição “Senado em Movimento: 200 anos de história”. Ao todo, o salão deverá receber três mostras rotativas, que integrarão a programação cultural do espaço.

As obras também abrangem as áreas externas e as estruturas de apoio. Durante os trabalhos, foram encontrados dois espelhos d’água que estavam enterrados e que agora passam por recuperação. A expectativa é que um deles esteja pronto até a inauguração. O reservatório de água do complexo também está sendo submetido a reforço estrutural.

Segundo Luan Ozelim, coordenador de Projetos e Obras de Infraestrutura do Senado, o estado de conservação do imóvel exigiu uma ampla intervenção antes da adaptação dos ambientes. O local apresentava vidros quebrados, telhas removidas, forros danificados, postes derrubados e fiação elétrica arrancada. Parte dos equipamentos sanitários também havia sido retirada.

A primeira fase contempla a reforma dos blocos Administrativo e de Exposições, além de melhorias nas vias internas, no estacionamento e nas instalações técnicas. As intervenções incluem ainda uma nova guarita, uma central de água gelada e um eletrocentro. Nas etapas seguintes, estão previstas a implantação do Espaço da Democracia, do Espaço Brasília e do Bloco Educativo.

Apesar das adaptações necessárias à nova finalidade, o projeto prevê preservar a identidade arquitetônica do conjunto. A fachada principal, marcada por formas elípticas, será mantida. Os revestimentos de mármore branco das demais fachadas e o mármore rosa das varandas também estão sendo restaurados.

A história do imóvel remonta a 1973, quando o arquiteto e engenheiro civil Armando Favato começou a desenvolver o projeto. A proposta inicial era criar um clube destinado aos servidores do Ministério da Educação e Cultura, mas o então presidente Ernesto Geisel determinou a ampliação do acesso aos funcionários públicos de diferentes órgãos da capital.

Inaugurado em 1976 como Clube do Servidor Civil, o local contava com piscinas, quadras poliesportivas e salões para eventos. Na década de 1980, entrou no circuito musical de Brasília, recebendo artistas como Marina Lima, Alceu Valença e Legião Urbana. Com a redução das atividades nos anos seguintes, o clube acabou fechado ao público em 1997.

Em 2009, o complexo voltou a receber eventos temporários, ao sediar a Casa Cor Brasília durante três meses. Naquele mesmo ano, o antigo salão de baile serviu de cenário para o filme Insolação, dirigido por Daniela Thomas e Felipe Hirsch. A administração do imóvel havia sido transferida para a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sindjus).

Em 2018, um convênio entre o Senado, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) estabeleceu as bases para a criação do Centro Cultural dos Poderes da União. Posteriormente, o imóvel passou a ser destinado exclusivamente ao Senado Federal, que assumiu a condução do projeto atual.

Com a entrega da primeira etapa, prevista para dezembro de 2026, o antigo clube deverá iniciar uma nova fase na capital federal. A proposta é transformar o espaço, antes dedicado ao lazer dos servidores, em um complexo voltado à cultura, à educação e à preservação da memória institucional.

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