A menos de duas semanas das eleições, Daniel Vilela (MDB) chega à reta final da disputa pelo Governo de Goiás com uma trajetória política marcada pela aproximação com Ronaldo Caiado (PSD) e pela preparação para sucedê-lo no Palácio das Esmeraldas. Antes adversário do ex-governador, o emedebista tornou-se vice, passou a integrar o núcleo da administração estadual e, desde abril, ocupa definitivamente o comando do Estado.
A transformação de adversário em aliado começou antes da eleição de 2022. Caiado procurou Daniel para formar a chapa daquele ano e passou a prepará-lo politicamente para a sucessão.
Agora candidato à Presidência da República, o ex-governador voltou a lembrar que a decisão foi tomada quando poucos apostavam na aproximação entre os dois. “Ninguém acreditava quando escolhi Daniel Vilela para a vice. Foi com um ano de antecedência”, recordou. Segundo Caiado, “a escolha dele foi pessoal e, claro, política”.
O movimento que começou como uma aliança eleitoral ganhou espaço dentro do governo. Daniel acompanhou decisões da administração, participou da articulação com os municípios e chegou a assumir interinamente o Executivo em diferentes ocasiões antes de se tornar governador. Registros oficiais mostram, por exemplo, que ele comandou temporariamente o Estado em setembro de 2024.
Essa convivência passou a ser um dos principais argumentos de Caiado para defender a continuidade do aliado. Ao deixar o governo em 31 de março deste ano, o ex-governador entregou o comando do Estado a alguém que já participava da administração desde o início do segundo mandato. Daniel tomou posse definitivamente em 1º de abril. “Ele sempre ficou 24 horas no batente. Por isso, ele é o escolhido. Agora é trabalhar e vocês podem botar peso nas costas dele que ele dá conta”, afirmou Caiado.
Daniel também tem usado a passagem pela Vice-Governadoria e os primeiros meses à frente do Executivo para reforçar sua experiência na administração estadual. Na campanha, sustenta que esse período lhe permitiu conhecer de perto as demandas dos municípios e as diferenças entre as regiões goianas.
“Conheço Goiás como a palma da minha mão. Sei dos problemas, sei das soluções, sei do potencial de cada região”, afirmou. Em outra declaração, reforçou a preparação para permanecer no cargo. “Eu estou muito preparado e determinado. Eu me preparei para isso”.
O apoio de Caiado também está associado às políticas executadas durante os anos em que os dois estiveram no governo. Uma delas é a segurança pública. Dados divulgados pelo Estado mostram que Goiás registrou 808 homicídios em 2025, contra 2.117 em 2018, uma redução de 62% no período.
Na saúde, a expansão dos serviços para o interior também esteve entre os eixos da administração. A regionalização avançou com hospitais e policlínicas destinados a reduzir a concentração de atendimentos especializados na capital e na Região Metropolitana. Em março deste ano, durante a ampliação do Hospital Estadual de Trindade, o governo informou que a unidade atendia pacientes de mais de 70 municípios.
Daniel acompanhou parte dessas mudanças como vice e, agora, responde diretamente pela continuidade das políticas como governador. É justamente essa transição sem ruptura que Caiado tenta colocar no centro da reta final da campanha. “Escolhi o meu vice-governador para continuar o trabalho em Goiás”, afirmou o ex-governador ao transmitir o cargo.
Quatro anos depois de buscar um adversário para dividir a chapa, Caiado chega à eleição de 2026 defendendo a permanência daquele mesmo aliado no Palácio das Esmeraldas.
Daniel, por sua vez, tenta transformar a experiência acumulada dentro do governo em credencial para conquistar, nas urnas, mais quatro anos à frente de Goiás. “Vai, sem dúvida, manter um ritmo acelerado, ágil, rápido, sempre conversando e ouvindo”, afirmou Caiado.
