Antes mesmo da abertura das urnas no próximo domingo (4), as forças de segurança do Distrito Federal já estarão mobilizadas para acompanhar possíveis riscos relacionados ao primeiro turno das eleições. A operação inclui monitoramento de redes sociais, uso de drones e integração de câmeras instaladas nos locais de votação.
O esquema foi planejado ao longo de seis meses pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), em conjunto com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) e as instituições distritais e federais que participarão da operação.
Uma célula de inteligência reunirá 22 órgãos e terá parte do trabalho direcionada ao ambiente virtual. Equipes realizam varreduras permanentes nas redes sociais para identificar antecipadamente manifestações que possam representar riscos à segurança, principalmente após o encerramento da votação.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Alexandre Patury, nenhuma situação concreta que preocupe as autoridades foi identificada até o momento. As forças, no entanto, permanecerão preparadas para atuar caso alguma mobilização saia do controle.
O acompanhamento não terminará com a votação. O planejamento prevê que a célula de inteligência permaneça ativa pelo menos até 10 de janeiro de 2027, abrangendo também o período das posses dos eleitos.
Nas ruas, a operação abrangerá os 614 locais de votação do Distrito Federal. Todos foram geolocalizados previamente para facilitar o planejamento e direcionar a atuação das equipes de segurança diante de eventuais ocorrências.
As câmeras instaladas nas escolas também foram incorporadas à estratégia. Em articulação com o TRE-DF e as unidades de ensino, a SSP-DF integrou as imagens ao sistema de monitoramento DF360. A medida amplia a capacidade de acompanhamento das áreas próximas aos locais de votação e auxilia na prevenção de crimes eleitorais.
O reforço tecnológico incluirá ainda drones nos principais pontos de votação. Os equipamentos começarão a ser utilizados no sábado, véspera da eleição, e permanecerão em atividade até o término da votação, com possibilidade de compartilhamento das imagens com o sistema de videomonitoramento.
“Vamos utilizar drones nos principais pontos de votação, que podem ter imagens compartilhadas com o sistema de videomonitoramento. Eles serão utilizados de forma massiva, desde o dia anterior às eleições até o término da votação”, afirmou Patury.
Além dos recursos tecnológicos e de inteligência, a operação distribuirá atribuições entre as forças de segurança. A Polícia Militar fará o policiamento ostensivo nos acessos e nas áreas externas dos locais de votação, com reforço nos pontos de maior circulação de pessoas.
A Polícia Civil ficará encarregada das ocorrências de sua competência, enquanto o Corpo de Bombeiros atuará em ações preventivas e no atendimento a emergências. Caberá à Polícia Federal conduzir os procedimentos judiciários relacionados a crimes eleitorais.
Entre as ocorrências previstas no planejamento estão boca de urna, compra de votos, coação de eleitores e propaganda eleitoral irregular.
Casos de menor potencial ofensivo que permitam a elaboração de Termo Circunstanciado de Ocorrência poderão ser encaminhados aos pontos de atendimento instalados nos fóruns do Paranoá, Santa Maria, Planaltina, Samambaia, Águas Claras e Ceilândia.
Já as situações que resultem em Auto de Prisão em Flagrante serão encaminhadas à Delegacia de Defesa Institucional, localizada na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal.
No dia da eleição, o eleitor poderá demonstrar sua preferência política de maneira individual e silenciosa. A legislação eleitoral proíbe, porém, manifestações coletivas destinadas à promoção de candidaturas, assim como a abordagem e a arregimentação de eleitores.
A recomendação da Segurança Pública é que os eleitores evitem comparecer às urnas apenas nos últimos momentos da votação. Segundo Patury, a concentração de pessoas pode favorecer episódios de confusão.
“A gente vê que, às vezes, muita aglomeração pode gerar algum tipo de confusão. Além disso, lembrar que a democracia se faz com tolerância”, afirmou.
