A Polícia Federal avançou sobre a antiga gestão do Banco de Brasília (BRB) e prendeu, nesta quinta-feira (16), o ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa. A medida integra mais uma etapa da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades em operações envolvendo o Banco Master.
No centro da apuração estão decisões tomadas no período em que Costa comandava o banco público. Segundo a PF, há indícios de que negociações foram autorizadas sem respaldo técnico adequado, incluindo transações sem garantias consideradas suficientes para sustentar os valores envolvidos.
A investigação também apura a existência de um possível esquema voltado ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, o que amplia o alcance do caso para crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Além da prisão, os agentes cumprem mandados de busca e apreensão com o objetivo de reunir documentos e aprofundar a análise sobre a atuação dos envolvidos.
A defesa do ex-presidente afirmou que a prisão não se justifica e informou que avaliará os fundamentos da decisão judicial antes de adotar medidas legais.
À frente do BRB desde 2019, Paulo Henrique Costa participou diretamente da estratégia que posicionou o banco como interessado na aquisição do Banco Master. A proposta chegou a ser apresentada como alternativa para evitar a quebra da instituição privada, mas acabou barrada pelo Banco Central, que apontou riscos à solidez do banco público.
Outro ponto sob investigação envolve a possível absorção de carteiras de crédito com elevado nível de risco. A PF busca esclarecer se essas operações seguiram critérios técnicos ou se houve falhas nos mecanismos internos de controle e aprovação.
Em nota, o Governo do Distrito Federal afirmou que os fatos estão sob análise do Judiciário e ressaltou que a atual gestão mantém compromisso com a legalidade, a transparência e a colaboração com os órgãos responsáveis pela apuração.
Com trajetória consolidada no sistema financeiro, Costa acumula mais de 20 anos de experiência no setor. Antes de assumir o BRB, ocupou cargos de direção na Caixa Econômica Federal, onde atuou até ser indicado para comandar o banco do DF.
A investigação segue em andamento e deve ampliar o foco sobre decisões tomadas na instituição durante o período analisado.
