O calendário eleitoral se aproxima do momento em que a política deixa de trabalhar apenas com possibilidades e exige a definição de nomes. No Distrito Federal, porém, as principais forças ainda têm pendências para resolver antes do registro das candidaturas.
MDB, PSD, PL, PT e PSB chegam à reta decisiva com diferentes tipos de problemas. Há vagas em disputa, candidaturas que dependem de decisões jurídicas, nomes avaliando qual cargo disputar e chapas proporcionais que ainda precisam ganhar força.
Para Tadeu Filippelli, ex-vice-governador do Distrito Federal e presidente de honra do MDB-DF, o cenário não deve ser interpretado necessariamente como sinal de fragilidade dos partidos. Segundo ele, a política costuma reservar as decisões mais importantes para os últimos momentos do prazo.
O MDB será um dos primeiros a precisar transformar as negociações em uma posição oficial. A convenção do partido está marcada para este sábado (1º), e uma das principais discussões será o espaço que a legenda terá na chapa liderada pela governadora Celina Leão (PP), que buscará a reeleição.
A composição ganhou uma variável importante com a decisão de Ibaneis Rocha. Em 23 de julho, o ex-governador anunciou que não disputará nenhum cargo nas eleições deste ano. A decisão abriu espaço para novas negociações dentro do grupo governista.
Rafael Prudente é citado como uma possibilidade, mas ainda não há definição. O MDB precisa, portanto, decidir não apenas quem pretende lançar, mas também qual será o tamanho de sua participação no projeto de reeleição de Celina.
A definição da chapa governista ainda poderá sofrer influência do PL. A eventual confirmação de Michelle Bolsonaro como candidata ao Senado é acompanhada com atenção pelos demais partidos e pode alterar a distribuição de espaços entre as legendas.
O cenário de indefinição se repete no PSD. A situação de José Roberto Arruda continua sendo um dos principais fatores de incerteza para a legenda, especialmente por causa das questões jurídicas que envolvem uma eventual candidatura.
A dificuldade para definir o cenário também interfere na formação da chapa. Potenciais candidatos que poderiam disputar uma vaga pela legenda estariam evitando entrar em uma composição cujo desenho ainda não está completamente claro.
Paulo Octávio é outro nome que precisa tomar uma decisão. O presidente do PSD no DF pode disputar o Senado ou concentrar esforços na eleição do filho, que pretende concorrer a deputado distrital dentro do grupo político de Celina.
Para a Câmara dos Deputados, o PSD também perdeu uma alternativa com a saída de Luiz Pitiman da disputa. A legenda tem como objetivo eleger ao menos um deputado federal, seguindo uma meta estabelecida nacionalmente pelo presidente do partido, Gilberto Kassab.
No PL, as discussões passam principalmente pela estratégia de Bia Kicis. A deputada pretende disputar o Senado, o que provocaria uma mudança na composição da chapa para a Câmara.
A eventual ausência de Bia na disputa proporcional aumenta a importância de nomes como Alberto Fraga e Izalci Lucas, enquanto Manzoni, atualmente deputado distrital, tenta se firmar na corrida por uma cadeira na Câmara Federal.
Entre os partidos de esquerda, o PT ainda busca fechar a composição em torno de Leandro Grass. O nome para a vice continua em discussão, em um momento no qual a campanha também busca ampliar sua competitividade nas pesquisas.
O PSB, por sua vez, enfrenta uma questão de natureza mais eleitoral. O partido realiza sua convenção na segunda-feira (3), mas ainda precisa ampliar o número de candidatos para montar uma chapa proporcional capaz de disputar cadeiras na Câmara dos Deputados.
A dificuldade coloca Rodrigo Rollemberg sob pressão. Único deputado federal do PSB no Distrito Federal, ele corre o risco de não renovar o mandato caso a legenda não consiga construir uma chapa suficientemente competitiva.
Com tantas variáveis simultâneas, a eleição brasiliense ainda não permite cravar o desenho final das principais chapas. E é justamente essa característica que Filippelli aponta como parte tradicional do processo.
As convenções partidárias desta semana devem eliminar algumas dúvidas, mas dificilmente serão suficientes para encerrar todas as negociações. Até o encerramento do prazo, novas alianças e mudanças de estratégia ainda podem aparecer.
Em Brasília, a eleição de 2026 entra na fase em que cada escolha produz efeitos sobre as demais. Enquanto os partidos fazem contas e negociam espaços, o desenho das principais chapas ainda depende dos últimos movimentos antes do prazo final.

