Goiás passou a ocupar posição de destaque nacional no enfrentamento à abertura de empresas com indícios de lavagem de dinheiro e possível ligação com o crime organizado. Dados da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) apontam que, entre 2020 e 2025, foram realizadas 24.942 comunicações de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O número representa quase metade de todas as notificações feitas pelas juntas comerciais brasileiras no período, consolidando Goiás como referência em monitoramento, fiscalização e controle de operações empresariais consideradas atípicas.
As comunicações seguem critérios estabelecidos pela Instrução Normativa nº 76, do Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (Drei), que determina o acompanhamento de situações consideradas fora do padrão durante processos de abertura, alteração e reativação de empresas.
Na prática, a Juceg utiliza um sistema automatizado capaz de identificar movimentações suspeitas e gerar relatórios encaminhados ao Coaf. Entre os principais casos monitorados estão abertura de várias empresas pela mesma pessoa em curto período, participação de pessoas politicamente expostas (PEPs), inclusão de menores de idade ou idosos em quadros societários e empresas ligadas a paraísos fiscais.
Somente em 2025, mais de 2,7 mil comunicações foram relacionadas à criação de múltiplas empresas pela mesma pessoa física ou jurídica em menos de seis meses, considerada a principal situação atípica identificada pelo órgão.
Além disso, Goiás também registrou centenas de ocorrências envolvendo pessoas politicamente expostas, participação de menores e pessoas acima de 80 anos em sociedades empresariais, além de registros de sócios domiciliados em regiões classificadas como paraísos fiscais.
As informações enviadas ao Coaf ajudam no trabalho de inteligência financeira e podem subsidiar investigações conduzidas por órgãos como a Polícia Federal e demais instituições responsáveis pelo combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro no país.
Depois de Goiás, os estados com maior número de comunicações ao Coaf foram Paraná, Piauí e São Paulo. Os dados reforçam o protagonismo goiano no fortalecimento dos mecanismos de transparência e controle empresarial.
