A governadora Celina Leão deu posse, na quinta-feira (25), às novas integrantes do Conselho dos Direitos da Mulher do Distrito Federal (CDM/DF), colegiado que terá a missão de acompanhar e influenciar a formulação de políticas públicas voltadas às mulheres pelos próximos dois anos. Com representantes do governo e da sociedade civil, o grupo assume o desafio de fortalecer ações de prevenção à violência, ampliar a autonomia feminina e garantir maior participação social nas decisões do Executivo.
A cerimônia, realizada no Salão Branco do Palácio do Buriti, marcou o início do mandato 2026–2028 de 52 conselheiras — 26 titulares e 26 suplentes. A composição mantém a divisão equilibrada entre representantes do Governo do Distrito Federal (GDF) e entidades da sociedade civil, característica considerada essencial para aproximar as políticas públicas das demandas apresentadas pela população.
Durante o evento, Celina afirmou que a diversidade das novas integrantes representa um avanço para o conselho. Segundo ela, a presença de mulheres indígenas, quilombolas, negras, representantes da comunidade LGBTQIA+ e de outros segmentos amplia o olhar sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no Distrito Federal. “Reunimos mulheres que conhecem realidades muito diferentes, mas que compartilham o mesmo compromisso de construir um ambiente mais seguro, com mais oportunidades e respeito. Quanto maior a representatividade, melhores serão as políticas que conseguiremos entregar”, afirmou.
A governadora também destacou que o combate à violência contra a mulher continuará sendo uma das prioridades da gestão. Para isso, disse que o governo pretende utilizar como base a pesquisa Panorama da Violência contra a Mulher no Distrito Federal, elaborada pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF).
O estudo, considerado inédito, ouviu 5.093 pessoas em 80 pontos de grande circulação do Distrito Federal e entrevistou 39 homens condenados por feminicídio de parceiras íntimas.
Na avaliação de Celina, o levantamento reforça a necessidade de combinar medidas de proteção com políticas voltadas à independência financeira das mulheres. “A violência não se enfrenta apenas com repressão. Precisamos ampliar oportunidades para que as mulheres tenham condições de romper relações abusivas. Educação, qualificação profissional e acesso ao mercado de trabalho fazem parte dessa estratégia”, disse.
A secretária da Mulher em exercício, Jackeline Aguiar, afirmou que o conselho funciona como uma ponte entre o poder público e a sociedade civil, permitindo que as demandas apresentadas pelas mulheres sejam incorporadas às políticas do governo.
As representantes da sociedade civil foram escolhidas por meio de processo seletivo público conduzido pela Secretaria da Mulher. Participaram 47 organizações, das quais 37 concorreram às vagas de ampla concorrência e dez disputaram as cadeiras destinadas a segmentos específicos, como mulheres negras, indígenas, quilombolas, ciganas, povos e comunidades tradicionais, mulheres com deficiência, idosas e representantes lésbicas, bissexuais e transsexuais.
Representante do Fórum de Mulheres do Mercosul, Lúcia Bessa, afirmou que o conselho chega ao novo mandato respaldado por uma trajetória de participação ativa na defesa dos direitos das mulheres do Distrito Federal. “O conselho construiu uma história importante ao transformar reivindicações da sociedade em avanços concretos para as mulheres. Nossa missão agora é fortalecer ainda mais esse diálogo e contribuir para novas conquistas”, afirmou.
Já a conselheira Ivonice Campos, representante da Associação Comercial do Distrito Federal, destacou que o trabalho do colegiado envolve temas que vão desde segurança pública e saúde até educação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico, reforçando o caráter transversal das políticas voltadas às mulheres.
Criado em 1998 e vinculado à Secretaria da Mulher, o Conselho dos Direitos da Mulher do Distrito Federal reúne representantes de diversas áreas do governo, além da Defensoria Pública do Distrito Federal e do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF). As conselheiras exercem a função de forma voluntária e sem remuneração.

