A disputa por espaço na estrutura política do Distrito Federal começou antes mesmo da posse da governadora reeleita Celina Leão (PP). A 66 dias do início do novo mandato, o presidente da Câmara Legislativa (CLDF), Wellington Luiz (MDB), e o vice-governador eleito, Gustavo Rocha (Republicanos), protagonizam articulações que envolvem o comando do Legislativo e a organização da futura administração.
Wellington Luiz tem como objetivo permanecer pela terceira vez na presidência da CLDF. Para garantir a recondução, o emedebista articula o apoio de sete deputados de oposição ao governo que será comandado por Celina. A movimentação chama a atenção por envolver parlamentares que prometem fazer oposição à próxima gestão, o que poderá influenciar a relação entre os Poderes.
Gustavo Rocha, por sua vez, também participa ativamente das conversas políticas no Distrito Federal. Antes de assumir oficialmente a vice-governadoria, ele já se reúne com deputados distritais, mantém contato com deputados federais e senadores e concede entrevistas sobre os rumos da próxima administração.
Na semana passada, o vice-governador eleito esteve com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e integrantes da bancada do Distrito Federal. O encontro teve como objetivo defender a manutenção das regras de atualização do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF).
A agenda de Rocha inclui ainda uma entrevista ao Correio Braziliense, prevista para esta quarta-feira (4/11), na qual deverá abordar as perspectivas para o futuro governo.
Nos bastidores, o vice-governador também é apontado como possível ocupante da Casa Civil e já teria manifestado interesse em disputar o Governo do Distrito Federal em 2030. As movimentações ocorrem antes mesmo de sua posse e sem que Celina tenha confirmado publicamente esses planos.
As articulações colocam a governadora reeleita diante de duas frentes de negociação: a composição do comando da Câmara Legislativa e a definição dos espaços e das responsabilidades dentro do próprio Executivo.
Celina passou dez dias descansando após a campanha eleitoral que garantiu sua reeleição. A formação da equipe e a condução das relações políticas com o Legislativo local e o Congresso Nacional estão entre as decisões que caberão à futura chefe do Executivo.
A eleição da nova Mesa Diretora da CLDF também será um momento importante para observar o posicionamento de Celina diante dos acordos em andamento. Até agora, ela não manifestou publicamente concordância com a articulação de Wellington Luiz nem com os movimentos políticos atribuídos a Gustavo Rocha.
Embora tenha sido eleito vice-governador, Gustavo ainda não assumiu o cargo. Sua participação nas negociações sobre a futura administração e as conversas sobre a sucessão de 2030 mostram que as articulações políticas no Distrito Federal já antecipam disputas que poderão influenciar os rumos da próxima gestão.
