Rodrigo Rollemberg vive hoje uma trajetória marcada pela ascensão meteórica em 2014 e pelo rápido desgaste político que se seguiu. Eleito governador do Distrito Federal naquele ano, obteve 812.036 votos no segundo turno contra Jofran Frejat, capitalizando o desgaste da gestão de Agnelo Queiroz e a rejeição ao PT, que enfrentava escândalos e impopularidade. Naquele momento, Rollemberg se apresentava como símbolo de transparência e renovação, prometendo uma gestão ética e eficiente.
O cenário, entretanto, mudou rapidamente. Seu governo (2015-2018) foi marcado por crises financeiras, falta de entregas visíveis e medidas impopulares, especialmente a atuação da Agefis, que promoveu a derrubada de centenas de casas em regiões como Sol Nascente e condomínios de classe média no Jardim Botânico. A medida, justificada como necessária para coibir ocupações irregulares, acabou interpretada como insensibilidade social, prejudicando sua relação tanto com eleitores mais pobres quanto com a classe média.
A crise da saúde pública, com filas, falta de médicos e até denúncias de más condições em hospitais, reforçou a percepção de incapacidade administrativa. A queda do viaduto do Eixão, em 2018, tornou-se símbolo da ausência de manutenção da infraestrutura e do enfraquecimento da imagem de seu governo.
Outro fator que marcou sua gestão foi o escândalo no Banco de Brasília (BRB), envolvendo o desvio de R$ 16,5 milhões em operações suspeitas e investimentos duvidosos, como no Trump Hotel, no Rio de Janeiro. Embora Rollemberg não tenha sido diretamente investigado, o caso atingiu em cheio o discurso de ética e moralidade que sustentou sua vitória em 2014.
O resultado nas urnas foi devastador. Em 2018, enfrentando Ibaneis Rocha, Rollemberg obteve apenas 30,21% dos votos no segundo turno, uma queda de quase metade em relação à eleição anterior. Sua imagem de gestor inovador se desfez diante de uma rejeição de 56% registrada naquele ano.
Tentando manter relevância, Rollemberg disputou uma vaga de deputado federal em 2022, mas recebeu pouco mais de 50 mil votos, desempenho insuficiente para conquistar uma cadeira pela regra vigente. Sua volta à Câmara em 2025 só foi possível graças a uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que alterou o cálculo do quociente eleitoral. Para analistas, o retorno não representa recuperação política, mas um “acidente institucional” decorrente da mudança legal.
O cenário atual também não é favorável. O PSB, partido de Rollemberg, perdeu força nacionalmente após a saída de quadros relevantes e, no Distrito Federal, enfrenta dificuldade em formar chapas competitivas. Sem candidatos fortes para atrair votos, o partido corre o risco de encolher ainda mais em 2026, prejudicando as chances de Rollemberg de manter seu mandato.
A história política do DF mostra que ex-governadores rejeitados dificilmente conseguem se reerguer. Casos como os de Cristovam Buarque e Joaquim Roriz, cada um em contextos distintos, ilustram que a perda de capital político é difícil de reverter. No caso de Rollemberg, a soma de rejeição popular, escândalos associados à sua gestão e um partido fragilizado indica que sua trajetória tende a se encerrar no esquecimento.
Para muitos eleitores, o ex-governador segue marcado pela alcunha de “pior da história de Brasília”, e sua presença no Congresso é vista mais como consequência das mudanças no sistema eleitoral do que como reflexo de apoio popular. A perspectiva para 2026 é de que sua tentativa de renovação de mandato encontrará enormes obstáculos, consolidando a percepção de um político em declínio contínuo.
