No dia 7 de setembro de 2025, o Brasil celebra o 203º aniversário da Independência em meio a um dos cenários mais tensos desde a redemocratização. A data, que tradicionalmente marca atos cívicos e desfiles militares, se transformou em um palco de disputas políticas, intensificadas pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete acusados no Supremo Tribunal Federal. Eles respondem por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e ataques contra autoridades.
O julgamento, iniciado dias antes, tem caráter histórico, pois pela primeira vez um ex-presidente e generais da alta cúpula militar enfrentam acusações formais de conspirar contra a ordem democrática. A expectativa é de que as sessões se estendam até meados de setembro, com possibilidade de penas severas.
Em Brasília, a tensão se reflete nas ruas. Apoiadores de Bolsonaro, organizados pelo movimento Reaja Brasil, ocupam a área próxima à Torre de TV com o lema “o medo acabou”, exigindo anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e criticando duramente o STF e o governo federal. Em contraponto, movimentos de esquerda, como o Grito dos Excluídos e o 7 de Setembro do Povo, reúnem-se na Praça Zumbi dos Palmares e em dezenas de cidades do país, levantando bandeiras pela defesa da democracia, da soberania popular e contra retrocessos autoritários.
A Esplanada dos Ministérios foi isolada por questões de segurança, e mais de 4.500 militares reforçam a vigilância com drones e barreiras de revista, numa operação que mostra a dimensão do risco percebido pelas autoridades.
As manifestações, espalhadas por pelo menos 66 cidades, revelam que o 7 de setembro ultrapassou o simbolismo da independência. Tornou-se um termômetro da polarização nacional, expondo a fragilidade do pacto democrático e os desafios que o país enfrenta para superar a divisão política que o atravessa.
