Para reconhecer e dar visibilidade a mulheres que têm mudado a história do Distrito Federal, a Câmara Legislativa realizou, nesta sexta-feira (26), uma solenidade dedicada ao debate sobre a representatividade feminina nos espaços de decisão. A iniciativa foi conduzida pela presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher (CDDM), deputada Doutora Jane (Republicanos), que destacou os desafios, os sacrifícios e também a força de mulheres que, ao ocuparem cargos de liderança, têm transformado vidas e instituições.
Segundo a parlamentar, é preciso desconstruir narrativas que alimentam a ideia de rivalidade feminina. “Há muito tempo estamos mudando essa cultura. Uma mulher empodera a outra. Representatividade é quando uma se vê na outra. E é disso que precisamos”, afirmou.
A secretária de Educação do DF, Hélvia Paranaguá, reforçou que a educação é a chave para romper preconceitos e criar condições para a igualdade de gênero. Ela citou programas como o “Maria da Penha vai à escola” e o “Mulheres Mil”, que ampliam o acesso à educação e fortalecem políticas de enfrentamento à violência contra a mulher. “A educação é a semente que transforma destinos. Liderar é abrir caminhos para que outras mulheres sigam com confiança e coragem”, declarou.
Doutora Jane apresentou números que evidenciam a desigualdade ainda presente: embora representem a maioria da força de trabalho e do funcionalismo público, as mulheres ocupam menos da metade dos cargos de liderança. “Não basta estarmos presentes. Queremos oportunidade, reconhecimento e transformação. Precisamos quebrar barreiras históricas e culturais que nos afastam das decisões”, defendeu.
O debate ganhou força com depoimentos emocionados. A representante da OAB, Lenda Tariana Neves, lembrou o peso da dupla jornada feminina. “Lutamos por espaço no mercado, mas ainda carregamos nossos filhos e nossos lares nos ombros. Isso não nos torna menos profissionais”, afirmou. Já a magistrada Cristiane Nascimento descreveu a mulher como uma “malabarista social”, capaz de equilibrar responsabilidades públicas e afetos privados.
Para além das estatísticas e cargos, a solenidade deu rosto humano à luta política das mulheres. Ao final, moções de louvor foram entregues a lideranças presentes, em reconhecimento a trajetórias que inspiram e desafiam estruturas ainda marcadas pela desigualdade.

Fonte: CLDF

