O Governo do Distrito Federal deu mais um passo no fortalecimento da rede de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica. A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) inaugurou, nesta sexta-feira (26), a Sala Lilás, um espaço permanente de acolhimento humanizado que passa a funcionar no Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob). Durante a solenidade, também foi anunciada a ampliação do Programa Viva Flor, que agora passa a atender mulheres em mais seis delegacias do Distrito Federal.
Com a expansão, o programa chega à 8ª DP (Cidade Estrutural), 21ª DP (Taguatinga Sul), 26ª DP (Samambaia), 30ª DP (São Sebastião), 33ª DP (Santa Maria) e 35ª DP (Sobradinho). As unidades se somam às Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deams I e II) e às delegacias do Paranoá, Planaltina, Brazlândia, Gama e Recanto das Emas, onde o serviço já era disponibilizado.
A descentralização permite que mulheres em situação de risco sejam incluídas imediatamente no Programa Viva Flor durante o registro da ocorrência, sem a necessidade de se deslocarem até uma Delegacia Especializada. A medida amplia o acesso à tecnologia de proteção e garante que a vítima deixe a unidade policial já amparada pelo sistema de monitoramento da SSP-DF.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a escolha das novas delegacias foi baseada em estudos técnicos que identificaram regiões com maior incidência de violência doméstica e familiar, além da necessidade de ampliar a capacidade de resposta do Estado.
Durante a cerimônia, o secretário de Segurança Pública, Alexandre Patury, destacou que as novas medidas representam um avanço na política pública de enfrentamento à violência contra a mulher.
“Temos um programa que salva vidas, mas entendemos que a tecnologia, sozinha, não é suficiente. Era preciso garantir que as mulheres fossem acolhidas com dignidade, privacidade e respeito no momento em que mais precisam do Estado. A Sala Lilás nasce com esse propósito e a ampliação do Viva Flor aproxima ainda mais essa proteção das vítimas”, afirmou.
A secretária da Mulher, Jackeline Aguiar, ressaltou que a integração entre os órgãos públicos fortalece a rede de atendimento e garante respostas mais rápidas às mulheres em situação de vulnerabilidade.
Representando a governadora Celina Leão, a assessora especial da Governadoria e ex-comandante-geral da Polícia Militar do DF, coronel Ana Paula Habka, afirmou que a união entre as instituições tem ampliado a capacidade de proteção do Estado.
Para o comandante-geral da PMDF, coronel Rômulo Palhares, o enfrentamento à violência contra a mulher depende da atuação integrada das forças de segurança e da participação da sociedade, garantindo atendimento prioritário e respostas rápidas às vítimas.
Programa já protege mais de duas mil mulheres
Voltado para mulheres com medidas protetivas ou classificadas em situação de risco pela Polícia Civil, o Programa Viva Flor funciona por meio de um aplicativo instalado no celular da vítima, utilizado como botão de emergência. Quando acionado, o chamado recebe prioridade máxima no Ciob, permitindo o envio imediato de equipes da Polícia Militar.
Nos casos em que o aparelho celular não é compatível com o aplicativo, a Secretaria disponibiliza um Dispositivo de Proteção à Pessoa (DPP), garantindo o mesmo nível de monitoramento e resposta.
Desde sua criação, em 2018, o Viva Flor já atendeu 3.276 mulheres. Atualmente, 2.031 permanecem protegidas pelo programa. De acordo com a SSP-DF, nenhuma mulher assistida pelo Viva Flor foi vítima de feminicídio enquanto esteve sob a proteção do sistema.
Para o juiz Ben-Hur Viza, titular do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra as Mulheres do Núcleo Bandeirante, o programa tornou-se referência nacional na prevenção da violência de gênero.
A defensora pública Antônia Carneiro também destacou que a iniciativa fortalece o atendimento às vítimas e contribui diretamente para a prevenção do feminicídio.
Atendimento humanizado 24 horas
Além da expansão do Viva Flor, a nova Sala Lilás passa a integrar a estrutura do Ciob como um espaço permanente de acolhimento às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.
O ambiente foi projetado para oferecer atendimento reservado, humanizado e qualificado, funcionando 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados. A estrutura conta com recepção, salas de atendimento individualizado, espaço reservado para escuta qualificada e brinquedoteca, oferecendo mais conforto às mulheres que chegam acompanhadas dos filhos.
O local também facilitará o acesso a serviços jurídicos, psicológicos e de assistência social por meio de parcerias firmadas entre a SSP-DF e instituições de ensino superior.
Durante a cerimônia, uma beneficiária do Programa Viva Flor emocionou os presentes ao relatar que o dispositivo foi decisivo para salvar sua vida após anos convivendo com a violência doméstica.
“No dia em que acionei o Viva Flor, achei que não sairia viva. A Polícia Militar chegou em questão de segundos e mudou a minha história. Hoje consigo sair de casa com meus filhos sabendo que, se precisar, o Estado estará ao meu lado. Esse programa me devolveu a segurança, a liberdade e a esperança de recomeçar”, contou.
A criação da Sala Lilás e a ampliação do Programa Viva Flor reforçam a estratégia do Governo do Distrito Federal de fortalecer a rede de proteção às mulheres, oferecendo atendimento mais ágil, humanizado e integrado no enfrentamento à violência de gênero.
Fotos: Divulgação/SSP-DF

