O uso de inteligência artificial passou a integrar de forma definitiva as investigações policiais em Goiás e já apresenta resultados concretos no combate ao crime. Uma quadrilha especializada em golpes financeiros contra pessoas idosas foi presa em Goiânia após identificação e monitoramento realizados com apoio do Programa IA Contra o Crime, lançado em 26 de janeiro.
A investigação teve início a partir do registro de um golpe aplicado contra uma idosa de 66 anos. De acordo com a apuração policial, a vítima foi induzida a realizar saques bancários e contratar empréstimos, o que gerou um prejuízo estimado em R$ 35 mil. O crime seguiu o padrão conhecido como “falso bilhete premiado”, prática recorrente em ações voltadas contra o público idoso.
Com a confirmação da ocorrência, a ferramenta de inteligência artificial passou a cruzar informações relacionadas ao modo de atuação do grupo, dados de deslocamento e características do veículo utilizado. A análise indicou que os suspeitos, oriundos do Rio Grande do Sul, possuíam histórico de prisões em outros estados e estavam hospedados em um bairro nobre da capital goiana.
O monitoramento em tempo real permitiu identificar a rota percorrida pelos investigados e antecipar a abordagem policial. Equipes da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam) realizaram a prisão no momento em que o grupo tentou se ocultar em um shopping da cidade. Ao todo, quatro pessoas diretamente ligadas à quadrilha foram detidas.
Durante a operação, os policiais recuperaram produtos provenientes de crimes de roubo e furto. A ação também interrompeu a sequência de golpes semelhantes que vinham sendo praticados pelo grupo, sobretudo contra pessoas idosas, evitando novos prejuízos às vítimas.
Segundo o comandante da Rotam, coronel Brayan Steve Silva de Freitas, a principal mudança trazida pela tecnologia está na agilidade das investigações. “Atividades que antes exigiam dias de análise agora são resolvidas em poucas horas. A inteligência artificial cruza informações em tempo real e apoia a tomada de decisão das equipes policiais”, afirmou.
A Secretaria de Segurança Pública de Goiás avalia que o uso da inteligência artificial deve ser ampliado para novas frentes de investigação, com foco no enfrentamento ao crime organizado e na proteção de grupos mais vulneráveis da população.
