A possibilidade de uma estiagem extrema no Distrito Federal colocou o Corpo de Bombeiros em alerta antes mesmo do início do período mais crítico da seca. Na quarta-feira (27), a corporação apresentou uma nova estrutura de enfrentamento aos incêndios florestais, baseada em monitoramento remoto, inteligência operacional e integração entre órgãos públicos.
O plano faz parte da Operação Verde Vivo 2026, que será executada ao longo dos próximos meses em áreas consideradas mais vulneráveis às queimadas no DF. A estratégia prevê acompanhamento contínuo dos focos de calor por imagens de satélite, além do uso de drones e aeronaves para apoiar as equipes em campo.
A avaliação interna dos bombeiros é de que as condições climáticas deste ano exigirão uma resposta mais rápida e coordenada. Durante a apresentação do plano operacional, especialistas apontaram elevada probabilidade de atuação do El Niño, fenômeno associado à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas.
Com isso, a corporação trabalha com a possibilidade de um período de seca acima da média histórica, cenário que pode favorecer incêndios de grande impacto ambiental.
Para tentar evitar o avanço das queimadas, o CBMDF iniciou, ainda no primeiro semestre, o levantamento das áreas com maior recorrência de ocorrências. Regiões como Brazlândia, São Sebastião, Paranoá, Sobradinho, Samambaia, Ceilândia e Núcleo Bandeirante aparecem entre os pontos de maior preocupação, principalmente nas faixas de vegetação próximas a áreas urbanizadas.
Segundo o comandante do Agrupamento de Proteção Ambiental, tenente-coronel Marcelino, a antecipação das ações permite que a corporação entre no período crítico com estrutura montada e equipes distribuídas estrategicamente. “O objetivo é chegar ao período mais seco com toda a parte operacional organizada para reduzir o tempo de resposta nas ocorrências”, afirmou.
O subcomandante-geral do CBMDF, coronel Murilo, destacou que a tecnologia passou a ter papel central no combate aos incêndios florestais no DF. De acordo com ele, o acompanhamento em tempo real ajuda a identificar rapidamente mudanças no comportamento do fogo e a direcionar as equipes conforme a gravidade das ocorrências. “Hoje conseguimos monitorar as áreas de risco de forma permanente, o que permite decisões mais rápidas e melhora a coordenação das operações”, disse.
Outro eixo da operação será o uso do Sistema de Comando de Incidentes (SCI), modelo utilizado em emergências de grande porte para integrar diferentes instituições em uma mesma estrutura de atuação. O sistema organiza funções, centraliza decisões estratégicas e facilita a comunicação entre as equipes mobilizadas.
Além do reforço operacional, os bombeiros demonstraram preocupação com o número de incêndios provocados por ação humana. A corporação avalia que parte significativa das queimadas registradas no Cerrado começa com comportamentos irregulares, principalmente durante o período de baixa umidade.
A expectativa é que a Operação Verde Vivo permaneça mobilizada durante toda a estiagem, com reforço do monitoramento nas áreas ambientais e ampliação das ações preventivas em regiões de maior risco.
