A presença feminina é uma das marcas mais fortes da rede pública de ensino do Distrito Federal. Em diferentes funções, da gestão escolar à manutenção dos espaços, mulheres sustentam diariamente o funcionamento das unidades e ajudam a moldar o ambiente educacional da capital. No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), histórias de profissionais da Secretaria de Educação do DF evidenciam como essa atuação vai muito além das salas de aula.
Atualmente, 22.431 mulheres trabalham na rede pública, o que representa 68,51% do total de servidores da Secretaria de Educação, que soma 32.742 profissionais. A participação feminina também aparece com destaque nas posições de gestão. Dos 4.474 cargos comissionados da pasta, 2.977 são ocupados por mulheres, o equivalente a 66,54% das funções de liderança.
A presença é expressiva, especialmente em funções ligadas diretamente à organização das escolas. Entre os cargos ocupados por mulheres estão 1.231 supervisoras pedagógicas, 488 vice-diretoras, 479 diretoras e 438 chefes de secretaria, além de diversas profissionais que atuam como assessoras, gerentes e coordenadoras.
Para a secretária de Educação do DF, Hélvia Paranaguá, o cenário reflete a própria história da educação no país e o compromisso das profissionais com a formação das novas gerações. “A rede pública do Distrito Federal funciona graças ao trabalho de milhares de mulheres que estão presentes em todas as áreas da educação. São profissionais que garantem o funcionamento das escolas e contribuem diretamente para a qualidade do ensino oferecido aos estudantes”, afirma.
Histórias que constroem o cotidiano das escolas
Entre as muitas trajetórias que compõem esse cenário está a de Josicleide da Silva, auxiliar de serviços gerais da Escola Classe 314 Sul. Nascida em Pernambuco, ela chegou a Brasília ainda pequena, aos três anos, acompanhando a família em busca de melhores condições de vida.
Hoje, aos 47 anos, Josicleide construiu toda a sua trajetória no Distrito Federal. Estudou em escola pública, formou sua família e criou o filho, atualmente com 29 anos. Moradora do Sol Nascente, ela conta que se sente parte do ambiente escolar onde trabalha.
“Eu gosto muito do que faço. Quando a escola está limpa e organizada, as crianças se sentem melhor ali dentro. Isso ajuda no dia a dia delas e também no nosso”, afirma.
A escola também se tornou um espaço de apoio em momentos difíceis. No ano passado, após a perda do marido, Josicleide encontrou acolhimento no ambiente de trabalho. “O carinho das crianças e das pessoas da escola me ajudou muito naquele período”, lembra.
A educação como escolha de vida
Outra história que ilustra a presença feminina na rede é a da supervisora pedagógica Fernanda Lopes Fernandes, que soma 23 anos dedicados à educação, sendo dez deles na Secretaria de Educação do DF.
Formada em Pedagogia e com formação inicial no magistério, ela conta que o interesse pela área surgiu ainda na infância. “Sempre tive facilidade de lidar com crianças e gosto por ensinar. Fiz magistério e depois Pedagogia, e com o tempo fui construindo minha trajetória dentro da educação.”
Hoje, atuando na supervisão pedagógica, Fernanda acompanha o trabalho desenvolvido nas escolas e auxilia no planejamento das atividades educacionais. Mesmo longe da sala de aula há cerca de três anos, ela afirma que a relação com os estudantes continua sendo a parte mais gratificante da profissão.
“Ver o desenvolvimento das crianças e perceber como a educação pode transformar a vida delas é algo muito significativo”, afirma.
Para a educadora, o grande número de mulheres na área tem relação com a própria formação histórica da profissão. “Durante muito tempo, a educação, principalmente nas séries iniciais, esteve ligada à figura feminina. Muitas mulheres começaram no magistério, e essa presença acabou se consolidando ao longo dos anos.”
Ela também observa que o trabalho nas escolas envolve desafios cada vez mais complexos. “Hoje, a escola acaba assumindo responsabilidades que antes eram mais presentes dentro das famílias, como a formação de valores e regras de convivência.”
Mesmo diante dessas mudanças, Fernanda afirma que a motivação permanece a mesma. “A educação tem um papel fundamental na formação das pessoas. Saber que fazemos parte desse processo é o que dá sentido ao nosso trabalho.”
A força da liderança feminina na educação do Distrito Federal também ganhou destaque recentemente. Na última semana, a secretária Hélvia Paranaguá foi escolhida para presidir o Conselho Nacional de Educação, órgão responsável por discutir diretrizes e políticas educacionais em todo o país.
A indicação é considerada um marco para a educação do DF e reforça a presença feminina em espaços estratégicos de decisão na área educacional brasileira.
