A renúncia do governador Ibaneis Rocha ao comando do Governo do Distrito Federal, oficializada neste sábado (28), foi marcada por um cenário incomum: em vez de um gabinete ou cerimônia formal, o ato ocorreu em meio a uma festa popular, durante as comemorações dos 55 anos de Ceilândia.
A assinatura aconteceu diante de uma multidão reunida na Praça da Bíblia, transformando o que seria apenas mais um evento festivo em um momento político relevante. Ao optar pelo local, Ibaneis associou sua saída ao perfil da cidade, conhecida pela forte presença de trabalhadores que ajudaram a construir Brasília.
“Fazer esse encerramento aqui tem um significado especial. Ceilândia traduz a história de quem ergueu o Distrito Federal com esforço e perseverança. Quis estar perto dessa realidade neste momento final”, disse, ao comentar a escolha do local.
Diferentemente de discursos protocolares, a fala teve tom de despedida e tentativa de conexão direta com o público. O agora ex-governador evitou formalidades e destacou o percurso da gestão como um ciclo concluído. “Foi uma caminhada intensa, com muitos desafios, mas também com entregas importantes. Deixo o cargo com a sensação de que avançamos e cumprimos nosso papel”, afirmou.
O ato ocorreu durante a tradicional costelada, um dos principais atrativos da programação. Com centenas de costelões preparados, o evento reuniu milhares de moradores e reforçou o caráter popular da celebração, que, neste ano, acabou ganhando também contornos políticos.
A escolha do ambiente aberto e festivo deu à renúncia um tom diferente do habitual, aproximando o gesto de uma despedida pública. Ao mesmo tempo, a movimentação reforçou o peso simbólico de Ceilândia dentro do Distrito Federal, tanto pelo tamanho quanto pela relevância cultural.
Enquanto, no palco, o momento era de transição, entre os moradores o clima era de festa. Para muitos, a data reuniu dois significados: o aniversário da cidade e um episódio marcante da política local.
“É uma comemoração que a gente já espera todo ano, mas, dessa vez, está diferente. Tem mais gente, mais movimento e um clima especial”, relatou o vigilante Eli Carlos Amaral, morador da região há três décadas.
O estudante César Júnior, de 13 anos, resumiu a experiência sob outro ponto de vista: “Vim com a minha família e está bem animado. Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, está bem legal”.
Já o administrador regional, Dilson Resende, destacou o envolvimento coletivo na realização do evento. “A cidade se mobilizou para fazer essa grande festa. O setor produtivo participou, a população compareceu em peso, e isso mostra a força que Ceilândia tem”, afirmou.
Com programação que inclui desfiles, shows e manifestações culturais, o aniversário da cidade seguiu ao longo do fim de semana. Mas, desta vez, entrou para a história também como o cenário escolhido para marcar o fim de um governo, em um formato que foge ao tradicional e aposta na proximidade com a população.
