A estrutura de tecnologia do Distrito Federal passou por uma virada estratégica. O Governo do Distrito Federal regulamentou o funcionamento da recém-criada Secretaria de Governança Digital e Integração (SGDI), que nasce com a missão de unificar sistemas, integrar dados e colocar fim à fragmentação tecnológica dentro da máquina pública.
O decreto, assinado pela governadora Celina Leão, transforma a nova pasta no principal eixo de decisões sobre tecnologia no Executivo local. A ideia é simples, e ambiciosa: evitar retrabalho, cortar desperdícios e fazer com que diferentes áreas do governo passem a operar com base nas mesmas informações.
Na avaliação da governadora, a medida tira do papel uma estrutura pensada para dar mais eficiência ao uso da tecnologia. “Depois de criar a secretaria, avançamos para organizar como ela vai funcionar. Com atribuições bem definidas, conseguimos reduzir desperdícios e preparar o governo para usar melhor a tecnologia a serviço da população”, afirmou.
Na prática, a SGDI passa a atuar como uma espécie de “cérebro digital” do DF. Caberá ao órgão definir padrões, coordenar sistemas e garantir que plataformas de diferentes secretarias consigam se comunicar, um gargalo antigo da administração pública que frequentemente resulta em soluções duplicadas e pouca integração.
Um dos pilares do novo modelo é a criação da Autoridade Central de Dados do Distrito Federal, que ficará sob o comando da própria secretaria. A estrutura terá a missão de organizar, padronizar e supervisionar o uso das informações produzidas pelos órgãos públicos, criando uma base mais sólida para decisões governamentais.
O decreto também muda as regras do jogo para projetos de tecnologia. A partir de agora, contratações e iniciativas da área deverão passar por análise prévia da SGDI. A medida busca garantir alinhamento estratégico e evitar que cada órgão invista de forma isolada, sem conexão com uma política digital mais ampla.
Outro ponto central é a implantação de um ecossistema integrado de dados, conectando áreas como saúde, educação e segurança pública. A proposta é permitir o cruzamento de informações em tempo real, o que pode acelerar respostas do governo e aumentar a eficácia das políticas públicas.
A regulamentação ainda abre espaço para o uso de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, e reforça a exigência de mais transparência e padronização nos contratos de tecnologia da informação.
Com a nova configuração, a antiga Secretaria Executiva de Tecnologia da Informação e Comunicação, antes vinculada à Secretaria de Economia, foi descontinuada. À frente da SGDI está Clemilton Oliveira Rodrigues Junior, escolhido para conduzir a estratégia de transformação digital do DF.
