Uma reivindicação antiga dos comerciantes do Shopping Popular de Brasília começou a sair do papel nesta terça-feira (2). A governadora Celina Leão assinou os documentos que oficializam a transferência do imóvel da União para o Governo do Distrito Federal (GDF), medida que abre caminho para a revitalização da área e para a implantação do futuro Mercado Municipal da capital.
A cerimônia foi realizada no próprio empreendimento, localizado no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN), e reuniu representantes dos governos distrital e federal, parlamentares e permissionários que há anos aguardavam uma solução para a situação do espaço.
Com a área agora incorporada ao patrimônio do Distrito Federal, o governo poderá iniciar os procedimentos necessários para a execução do projeto que prevê a transformação do atual shopping em um centro voltado ao comércio popular, gastronomia, agricultura familiar, cultura e lazer.
Para Celina Leão, a formalização da transferência representa o início de uma nova etapa para o local. “Esse era um passo indispensável para que o governo pudesse agir de forma efetiva. Agora temos segurança jurídica para investir, recuperar a estrutura e colocar em prática um projeto que poderá transformar esta região em um importante ponto de encontro da população”, afirmou.
A governadora ressaltou que a proposta vai além da recuperação física do empreendimento e busca criar um espaço capaz de movimentar a economia local. “A intenção é construir um ambiente atrativo para comerciantes, produtores e consumidores, fortalecendo a geração de emprego e renda e oferecendo novas opções de lazer e convivência para Brasília”, acrescentou.
O Shopping Popular enfrenta dificuldades desde o encerramento do antigo termo de cessão, em 2017. Sem definição sobre a posse do imóvel, investimentos estruturais deixaram de ser realizados, contribuindo para a redução do movimento e para o fechamento de diversos boxes.
A transferência foi viabilizada por meio do programa Imóvel da Gente, iniciativa da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) voltada à destinação social de áreas públicas sem utilização adequada.
Segundo o superintendente da SPU no Distrito Federal, Roberto Policarpo, o acordo atende uma demanda histórica dos trabalhadores que permaneceram no local mesmo diante das dificuldades. “Estamos criando as condições necessárias para que o espaço volte a cumprir sua função econômica e social. Os permissionários terão mais perspectivas e poderão desenvolver suas atividades em um ambiente mais estruturado”, disse.
Mercado Municipal terá comércio, serviços e atividades culturais
O projeto elaborado pelo GDF prevê prazo estimado de 36 meses para implantação. A proposta reserva parte da estrutura aos atuais permissionários, enquanto o restante será ocupado por restaurantes, áreas culturais, espaços de lazer e iniciativas ligadas à economia solidária.
O empreendimento também deverá receber uma unidade voltada à qualificação profissional. A ideia é que parte do térreo seja utilizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego para ações de formação e incentivo ao empreendedorismo popular.
Para a secretária do Patrimônio da União, Carolina Gabas, a construção do acordo teve como prioridade garantir que a revitalização fosse acompanhada da permanência dos trabalhadores que ajudaram a manter o local em funcionamento. “Buscamos uma solução que unisse recuperação do patrimônio público e valorização das pessoas que construíram a história deste espaço. A expectativa agora é acompanhar a execução das medidas previstas”, afirmou.
Comerciantes apostam na retomada do movimento
Entre os permissionários, a expectativa é de que a nova fase marque a recuperação de um empreendimento que já foi um dos principais polos de comércio popular do Distrito Federal.
Presidente da Associação do Shopping Popular, Edilene Fernandes acredita que a regularização representa uma oportunidade de reconstrução para centenas de famílias. “Há muitos anos aguardávamos uma definição. A esperança é ver o shopping novamente movimentado, recebendo visitantes e criando oportunidades para quem trabalha aqui diariamente”, declarou.
A comerciante Cleonice Maria de Jesus, que mantém um box no local há quase duas décadas, afirma que os problemas de infraestrutura prejudicam a atividade dos feirantes e afastam consumidores. “Quem trabalha aqui enfrenta dificuldades que vão desde questões estruturais até a falta de movimento. A expectativa é que os investimentos tragam melhores condições para os comerciantes e para os clientes”, disse.
Já para Socorro Rocha, que acompanha a trajetória do empreendimento desde sua inauguração, o momento representa uma mudança de cenário. “Depois de tantos anos de incerteza, finalmente existe uma perspectiva concreta de melhoria. Todos esperam que o projeto devolva a força que este espaço já teve no passado”, afirmou.
Com a transferência concluída, a expectativa do governo e dos comerciantes é que o antigo Shopping Popular inicie um novo ciclo, tornando-se um dos principais centros de comércio, cultura e convivência da capital federal.
