O futuro do Banco de Brasília (BRB) esteve no centro dos debates da Câmara Legislativa do Distrito Federal na terça-feira (9). Após uma sessão marcada por embates entre governistas e oposicionistas, os deputados aprovaram o projeto que autoriza o Governo do Distrito Federal a contratar uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões destinada à recomposição patrimonial da instituição.
A medida é considerada um passo decisivo para a execução do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), firmado como alternativa para enfrentar os reflexos financeiros provocados pela crise envolvendo o Banco Master.
Com a aprovação da proposta, o governo poderá buscar os recursos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo apontado pelo Executivo como essencial para fortalecer a estrutura financeira do BRB e preservar sua capacidade de atuação no mercado.
O placar da votação revelou a divisão do plenário. A matéria recebeu 11 votos favoráveis, nove contrários e uma abstenção. Apoiaram o projeto Wellington Luiz, Eduardo Pedrosa, Roosevelt Vilela, Iolando Almeida, Jaqueline Silva, Joaquim Roriz Neto, Hermeto, Martins Machado, Pastor Daniel de Castro, Pepa e Robério Negreiros. Votaram contra Chico Vigilante, Dayse Amarilio, Fábio Félix, Gabriel Magno, Jorge Vianna, Max Maciel, Paula Belmonte, Ricardo Vale e Rogério Morro da Cruz. Jane Klébia se absteve.
Durante as discussões, parlamentares da base argumentaram que o BRB exerce papel relevante na economia do Distrito Federal e que o reforço de capital é necessário para garantir a continuidade de suas atividades, além de preservar empregos e contratos vinculados à instituição.
A oposição, por outro lado, questionou os impactos financeiros da operação para o GDF e defendeu um maior aprofundamento das investigações e esclarecimentos sobre negócios realizados pelo banco nos últimos anos.
Pelas regras definidas no acordo judicial, o financiamento poderá ser pago em até 15 anos, com carência de 18 meses para o início da amortização. Embora o valor final da operação seja superior ao montante inicialmente contratado, devido aos encargos financeiros, o governo avalia que a medida é necessária para evitar consequências mais severas para o banco.
Nos bastidores políticos, a aprovação foi interpretada como uma demonstração de força da articulação do Palácio do Buriti. A governadora Celina Leão acompanhou as negociações que antecederam a votação e viu a base governista garantir os votos necessários para aprovar uma das matérias mais relevantes do ano na área econômica.
Com o resultado, o Executivo ganha sinal verde para colocar em prática as etapas seguintes do plano de reestruturação do BRB e cumprir os compromissos assumidos no acordo firmado perante o STF.
