O ex-governador José Roberto Arruda (PSD), condenado em ações de improbidade administrativa e atualmente inelegível, conduz as negociações para montar uma chapa ao Governo do Distrito Federal ao lado do ex-senador Gim Argello (Avante) e do empresário Paulo Octávio (PSD). Os três têm em comum, além da longa trajetória na política brasiliense, passagens pela prisão em investigações relacionadas à corrupção.
Arruda permaneceu preso por dois meses. Paulo Octávio ficou cinco dias encarcerado. Já Gim Argello cumpriu três anos e dois meses de prisão após condenação na Operação Lava Jato, decisão que acabou anulada anos depois pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). No caso de Arruda e Paulo Octávio, as prisões foram preventivas.
As conversas envolvem a participação do Avante na chapa majoritária que deverá ser liderada por Arruda. Pelo desenho discutido entre as legendas, o partido poderá indicar o candidato a vice-governador ou concentrar a aliança na disputa por uma vaga ao Senado. Paulo Octávio já foi anunciado como o outro pré-candidato do PSD ao Senado.
A definição sobre a vice permanece aberta. Gim Argello é um dos nomes cotados para ocupar o posto. Outra possibilidade discutida nos bastidores é a indicação de Jorge Argello, filho do ex-senador. Também é avaliado um cenário em que Paulo Octávio deixe a pré-candidatura ao Senado para integrar a chapa como vice de Arruda, abrindo espaço para que Jorge Argello dispute uma cadeira na Casa Alta.
PSD e Avante marcaram para o dia 26 de julho uma convenção conjunta no Distrito Federal, quando deverão oficializar os candidatos dos dois partidos ao Governo do DF, ao Senado, à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e à Câmara dos Deputados.
Arruda tenta reverter inelegibilidade
Principal nome da chapa, Arruda acumula seis condenações em segunda instância por improbidade administrativa decorrentes da Operação Caixa de Pandora, investigação que revelou um esquema de pagamento de propina e desvio de recursos públicos entre 2006 e 2009, durante sua gestão no Governo do Distrito Federal. À época, Paulo Octávio ocupava o cargo de vice-governador.
As decisões judiciais determinaram o ressarcimento de aproximadamente R$ 595 milhões aos cofres públicos, em valores atualizados. Inelegível, o ex-governador busca viabilizar sua candidatura com base nas discussões sobre mudanças na aplicação da Lei da Ficha Limpa, que estão em análise no Supremo Tribunal Federal (STF).
Aliados também enfrentaram processos
Cotado para disputar uma vaga ao Senado pelo PSD, Paulo Octávio foi condenado, em janeiro de 2022, pela 6ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal, por improbidade administrativa em ação relacionada às irregularidades nas autorizações para a construção do JK Shopping, caso investigado na Operação Átrio, deflagrada em 2014.
Em agosto de 2022, o empresário firmou um acordo com a Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que afastou as sanções de inelegibilidade por 10 anos e o pagamento de multas que, corrigidas, somavam R$ 65,4 milhões, previstos na sentença.
Já Gim Argello foi condenado pelo então juiz federal Sérgio Moro, em outubro de 2016, a 19 anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e obstrução à investigação. Em novembro de 2017, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) reduziu a pena para 11 anos e oito meses.
Após cumprir três anos e dois meses de prisão no Complexo Médico-Penal de Pinhais (PR), Gim deixou o sistema prisional em 2019 com base no indulto natalino concedido pelo então presidente Michel Temer, em 2017, cuja validade para crimes sem violência foi posteriormente confirmada pelo STF. Em fevereiro de 2022, a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou integralmente a condenação do ex-senador na Operação Lava Jato.
Apesar do histórico judicial dos principais articuladores, PSD e Avante mantêm as negociações para formar uma chapa competitiva na disputa pelo Palácio do Buriti em 2026.
