“Continuei no cargo e enfrentei a crise”: Celina expõe bastidores do 8 de janeiro

Date:

Três anos após os atos de 8 de janeiro de 2023, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, apresentou um relato detalhado sobre os bastidores de um dos episódios mais marcantes da história recente do país — um dia em que as estruturas de poder foram invadidas e a capacidade de resposta do Estado colocada à prova.

Naquele domingo, apenas uma semana após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestantes romperam barreiras de segurança e depredaram as sedes dos Três Poderes, em cenas que circularam o mundo e provocaram reação imediata das instituições.

Segundo Celina, o ponto de virada ocorreu com uma ligação do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. “Ele relatou que o Congresso já havia sido tomado, que não havia contato com o governador Ibaneis Rocha e que existia uma movimentação para afastar o comando do Distrito Federal”, afirmou.

Por volta das 15h30, ela seguiu para a residência oficial do governo. De acordo com seu relato, recebeu a incumbência de assumir a coordenação das ações diante do avanço da crise. Antes de se dirigir ao Ministério da Justiça, comunicou ao então ministro Flávio Dino que estava a caminho.

Quando chegou, a situação já havia escalado. “A situação já envolvia invasão e danos ao patrimônio público”, disse. A partir dali, passou a acompanhar em tempo real as movimentações, em contato direto com o comando da Polícia Militar do Distrito Federal.

Foi nesse contexto, segundo a governadora, que surgiu a possibilidade de afastamento das autoridades locais. “Fui avisada de que poderíamos ser retirados dos cargos. Respondi que, enquanto isso não fosse formalizado, continuaria exercendo minha função”, afirmou.

A desocupação dos prédios, de acordo com sua versão, foi conduzida por forças de segurança do próprio Distrito Federal. “A retomada do controle foi conduzida por policiais do Distrito Federal em atuação naquele momento”, declarou.

Na sequência, segundo relata, o caso foi levado ao presidente da República. Pouco depois, o governo federal decretou intervenção na segurança pública do Distrito Federal. Dias mais tarde, o afastamento do então governador Ibaneis Rocha foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, levando Celina Leão a assumir interinamente o comando do Executivo local.

Ao revisitar os acontecimentos, a governadora apresenta uma interpretação que diverge de parte das análises predominantes. “Na minha avaliação, houve atos de depredação sem elementos que indiquem uma organização centralizada com objetivo de ruptura institucional”, afirmou.

Ela também comenta sua atuação durante a crise. “Minha atuação esteve voltada ao acompanhamento das ações de segurança pública no Distrito Federal”, disse.

Outro ponto levantado envolve as consequências para os envolvidos nos atos. “Há situações com punições que considero desproporcionais, o que tem sido objeto de debate”, afirmou. Nesse contexto, menciona a discussão em curso no Congresso Nacional. “A possibilidade de anistia está em debate e envolve diferentes posicionamentos”, declarou.

A governadora também aponta impactos políticos decorrentes do episódio. “Os acontecimentos tiveram efeitos no cenário institucional do Distrito Federal”, disse.

Três anos depois, o 8 de janeiro permanece como um marco ainda em disputa no debate público brasileiro. “A compreensão dos fatos ainda está em processo de análise”, concluiu.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

COMPAERTILHE:

Popular

Mais lidas
Relacionado

Em Ceilândia, Celina Leão mostra força política e oficializa caminho para 2026

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), reuniu...

GDF amplia cotas de serviço voluntário para reforçar atuação da Polícia Civil

O Governo do Distrito Federal vai ampliar as cotas...

Governadora reage a críticas e destaca ações do GDF para fortalecer a saúde

  A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou...