O Governo do Distrito Federal (GDF) já viabilizou a saída de 42 pessoas em situação de rua de Brasília desde o início de 2026. Elas aceitaram retornar às cidades de origem ou seguir para locais onde mantêm vínculos familiares e comunitários, com passagens interestaduais custeadas pela assistência social.
Os embarques fazem parte da Operação Retorno, uma das frentes adotadas pelo governo no atendimento à população que vive nas ruas. A iniciativa ocorre paralelamente à ampliação dos mutirões de atendimento e acolhimento realizados em diferentes regiões administrativas.
A estratégia ganhou força nos últimos dias. Equipes do GDF percorreram 42 pontos de Brasília em uma operação que alcançou Sobradinho, Sobradinho II, Samambaia e áreas do Plano Piloto. Durante as abordagens, são oferecidos encaminhamentos para a rede pública e alternativas a quem manifesta interesse em reconstruir vínculos fora do Distrito Federal.
A governadora Celina Leão (PP) afirmou que a Operação Retorno já alcança diferentes regiões do DF. A proposta, segundo ela, é oferecer acolhimento e criar condições para que quem deseja sair das ruas possa retornar ao município de origem ou seguir para um local onde tenha familiares ou uma rede de apoio.
A compra das passagens fica sob a responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) e não ocorre de forma automática. Antes da viagem, profissionais da assistência social avaliam a situação do interessado e verificam se ele atende aos critérios para receber o benefício.
As passagens fazem parte do Auxílio em Situação de Vulnerabilidade Temporária. Pelas regras, a modalidade pode ser utilizada não apenas por pessoas em situação de rua, mas também em casos de grave ameaça no DF, reintegração familiar de crianças e adolescentes acolhidos e retorno de egressos do sistema prisional.
No caso da população em situação de rua, o destino não precisa ser necessariamente o local de nascimento. A viagem também pode ser autorizada para outro estado onde existam vínculos familiares ou comunitários capazes de contribuir para a reorganização da vida do beneficiário.
Em regra, é exigida renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo. Situações excepcionais podem passar por avaliação técnica. Como se trata de um benefício eventual, uma nova passagem só pode ser concedida após um intervalo de 12 meses.
A atuação do governo nas áreas ocupadas pela população em situação de rua ocorre após uma sequência de episódios de violência que aumentou a preocupação com o tema no Distrito Federal. Entre 28 de julho e 12 de agosto, ao menos nove ocorrências envolvendo pessoas nessa condição foram registradas, segundo levantamento publicado nesta sexta-feira (14/8).
Os casos incluem a morte de um servidor do Senado, atingido por 36 facadas em Taguatinga; a agressão contra uma criança de 5 anos na Asa Sul; e a invasão de apartamentos por um homem que chegou a manter uma idosa de 97 anos refém antes de ser morto pela polícia.
Ao mesmo tempo, o GDF vem ampliando a estrutura de atendimento. A política distrital para a população em situação de rua ganhou novas diretrizes em julho, com medidas voltadas à assistência social, à saúde, à moradia, à reconstrução de vínculos familiares e à reinserção social.
Dentro desse conjunto de ações, a Operação Retorno funciona como uma alternativa voluntária para quem tem a possibilidade de recomeçar fora do Distrito Federal. Até agora, 42 pessoas aceitaram essa opção e tiveram a viagem viabilizada pelo governo.
