A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na terça-feira (15), que teve como foco o ministro Alexandre de Moraes, repercutiu na imprensa internacional. O plenário encerrou os trabalhos sem deliberar sobre a investigação e o eventual afastamento do magistrado.
O britânico The Guardian publicou uma reportagem sob o título “conflito no Supremo às vésperas da eleição presidencial”. Segundo o jornal, a Corte “foi lançada no que especialistas consideram a maior crise desde o retorno da democracia, na década de 1980”, com “consequências imprevisíveis”.
A publicação classificou o embate como de “forte teor político” e destacou que a sessão foi transmitida ao vivo. O jornal também relacionou Moraes à condução de processos envolvendo Jair Bolsonaro após as eleições de 2022 e afirmou que a crise “parece propensa a prejudicar as chances de Lula”.
Na Espanha, o El País afirmou que a sessão ficará marcada “pelos insultos e ofensas trocados entre seus ministros” e destacou que os trabalhos foram suspensos sem que fossem analisadas as acusações contra um dos integrantes da Corte.
O jornal ressaltou ainda que, em 135 anos de história, o STF nunca havia enfrentado uma investigação envolvendo um de seus próprios ministros em circunstâncias semelhantes. Também chamou atenção para a proximidade das eleições, marcadas para menos de três semanas depois da sessão. Sobre o caso Master, afirmou que seus efeitos sobre o pleito “permanecem incertos” e citou pesquisa segundo a qual 85% dos eleitores disseram que o escândalo não alteraria seu voto.
Nos Estados Unidos, o Washington Post reproduziu reportagem da Associated Press informando que o STF suspendeu as deliberações sobre um caso que “agita o período que antecede as eleições”. Segundo a publicação, uma decisão poderá ocorrer apenas em dezembro, após o primeiro turno.
A Bloomberg, por sua vez, noticiou que a Corte “adia decisão sobre Moraes e lança incerteza sobre a eleição”, destacando os possíveis impactos do impasse no cenário político brasileiro.
