O cultivo de morangos em Brazlândia não garantiu apenas renda para Francisco Santos de Sousa e Maria do Rosário de Sousa. A atividade rural permitiu que os oito filhos do casal tivessem acesso aos estudos, conquistassem formação profissional e encontrassem no campo uma alternativa de vida capaz de atravessar gerações. Hoje, a família é considerada uma referência da agricultura familiar no Distrito Federal.
Conhecidos na região como “Família F”, em alusão aos nomes dos oito filhos, Francisco e Rosário chegaram a Brazlândia em 2006, depois de deixarem São Paulo. Naturais da Paraíba, os dois buscavam um ambiente mais tranquilo para criar a família e encontraram na produção agrícola a oportunidade de recomeçar.
Nos primeiros anos, trabalharam em propriedades de terceiros e, mais tarde, conseguiram arrendar uma pequena área para iniciar a própria atividade. Em 2009, passaram a contar com o acompanhamento da Emater-DF, que auxiliou no acesso ao crédito rural, na participação em programas governamentais e no aprimoramento da produção.
“Nossa preocupação sempre foi dar um futuro melhor aos nossos filhos. Saímos da cidade porque acreditávamos que, no campo, poderíamos construir uma vida mais segura e com mais oportunidades”, relata Rosário de Sousa.
Ao longo dos anos, o morango se transformou no principal produto da propriedade. A experiência adquirida na prática e o suporte técnico da Emater-DF permitiram que a família ampliasse a produção e diversificasse as atividades em períodos específicos do ano, com o cultivo de hortaliças.
“A gente sempre teve em mente que era preciso fazer a propriedade crescer. O dinheiro que entrava era usado para melhorar a produção e ampliar a estrutura”, afirma Francisco Santos de Sousa.
A estratégia de reinvestir os lucros possibilitou a compra de duas chácaras e a consolidação do patrimônio familiar. Hoje, filhos, noras, genros e netos participam diretamente das atividades no campo, dando continuidade ao trabalho iniciado pelos pais.
Apesar de terem cursado áreas como Direito, Pedagogia, Educação Física e Técnico em Meio Ambiente, muitos dos filhos optaram por permanecer na propriedade. Para Fagner de Sousa, a decisão foi influenciada pelo exemplo de dedicação dos pais.
“Vimos que o trabalho deles trouxe resultados e percebemos que a agricultura também oferece condições para crescer e ter qualidade de vida. Isso nos incentivou a continuar nesse caminho”, destaca.
Além da produção, integrantes da família participaram de cursos e programas da Emater-DF voltados ao empreendedorismo, à gestão e à sucessão rural, fortalecendo o planejamento do negócio.
De acordo com a engenheira-agrônoma Nadja Oliveira, extensionista da Emater-DF, a trajetória da família simboliza o impacto da assistência técnica no fortalecimento da agricultura familiar.
“Desde os primeiros anos, acompanhamos essa caminhada. Hoje, vemos uma família estruturada, com os filhos assumindo responsabilidades e um empreendimento consolidado. É a demonstração de que o conhecimento e o apoio adequados podem transformar sonhos em uma atividade sustentável e duradoura”, afirma.
