O Distrito Federal atravessa o auge da seca com os principais reservatórios em níveis elevados e em uma situação bem diferente da registrada durante a crise que levou ao racionamento de água em 2017. Durante entrevista ao programa Vozes da Comunidade, nesta sexta-feira (4), o diretor-presidente da Adasa, Raimundo Ribeiro, afirmou que o DF está em Estado Hidrológico Verde.
O reservatório do Descoberto está com 85,3% do volume útil, enquanto Santa Maria registra 92,2%. Os índices também superam os observados no mesmo período de 2024. Segundo Ribeiro, o Descoberto apresenta volume 8% maior e Santa Maria, 21% superior.
Atualmente, o sistema de abastecimento alcança 99% da população do Distrito Federal. Para o presidente da Adasa, os números garantem maior segurança para atravessar a estiagem, mas não eliminam a necessidade de cuidado com o consumo. “Os níveis atuais nos deixam em uma situação mais tranquila, mas isso não significa que podemos baixar a guarda. A água é um recurso limitado e precisamos continuar incentivando a população a evitar desperdícios e fazer um uso responsável”, afirmou Ribeiro.
A crise hídrica enfrentada pelo DF em 2017 também ganhou espaço na entrevista. Ao recordar o período, Ribeiro classificou o episódio como uma “desgraça” e criticou duramente a condução da política hídrica durante o governo do ex-governador Rodrigo Rollemberg. “Foi um período muito ruim para o Distrito Federal e resultado de uma condução que considero vergonhosa na gestão dos recursos hídricos”, afirmou.
Naquele período, o DF enfrentou uma estação chuvosa abaixo do esperado, queda acentuada nos níveis dos reservatórios e a adoção de rodízio no fornecimento de água.
Reportagem publicada pelo portal Época durante a crise apontou que a falta de chuva, por si só, não explicava o cenário enfrentado pela capital e relacionou o problema também à forma como os recursos hídricos eram administrados. “A crise não aconteceu apenas pela falta de chuva. O problema também passou pela gestão, como já havia ocorrido em São Paulo, e mostrou que o Distrito Federal não assimilou as lições daquela experiência”, apontou a publicação na época.
Segundo Ribeiro, a experiência de 2017 provocou mudanças na forma como o DF passou a planejar o abastecimento. Entre elas está a criação do Grupo de Acompanhamento das Curvas dos Reservatórios do Descoberto e de Santa Maria, responsável por monitorar a situação dos mananciais e auxiliar na tomada de decisões.
Outra medida foi a integração dos sistemas Santa Maria/Torto, Paranoá, Descoberto e Corumbá IV. A mudança ampliou as alternativas de abastecimento, diversificou as fontes disponíveis e reduziu a dependência das chuvas.
Na avaliação do presidente da Adasa, essa nova estrutura ajuda a explicar o cenário atual. Mesmo no período mais intenso da estiagem, os reservatórios permanecem em níveis elevados, enquanto a integração dos sistemas proporciona maior segurança ao abastecimento da população.
