“O feminicídio é uma ferida aberta que precisamos estancar. Enquanto houver uma vítima, não temos o que comemorar.” Com essa afirmação, o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, abriu um apelo direto à sociedade e às instituições para reagir de forma coordenada contra a escalada desse crime, que, em sua maioria, ocorre no ambiente doméstico e é motivado por ciúmes ou pelo término de relacionamentos.
No marco do Agosto Lilás — campanha nacional de conscientização e combate à violência contra a mulher — Avelar reforçou que a meta é “zerar os casos”, mas reconheceu que o desafio exige esforço contínuo, ação política integrada e fortalecimento da rede de proteção. “Denunciar é proteger vidas e romper o ciclo da violência”, afirmou, defendendo que a sociedade civil, os órgãos de segurança, a Justiça e o Legislativo atuem de forma conjunta.
Dados do Radar DF apontam que, entre janeiro e julho de 2025, o DF registrou 12 feminicídios, aumento de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior. Todas as vítimas até maio eram mães, e 88,9% não haviam registrado boletim de ocorrência contra o agressor, evidenciando um cenário de subnotificação que fragiliza as políticas públicas.
O levantamento ainda mostra que 71% dos crimes ocorreram dentro de casa, 55% foram motivados por ciúmes e 44% envolveram armas brancas. Mulheres negras e de baixa renda permanecem como as principais vítimas.
Diante desse quadro, o GDF, por meio da SSP-DF, aposta em programas como o Dispositivo de Proteção à Pessoa (DPP), o Viva Flor e o PROVID, além da plataforma Maria da Penha Online e da campanha Sinal Vermelho, para ampliar a proteção e agilizar respostas. Outras medidas incluem transporte gratuito para vítimas com medidas protetivas, auxílio financeiro a órfãos de feminicídio e reforço no atendimento 24h das Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam).
As ações institucionais se somam às campanhas “Não ao Covarde” e “Salve Todas 2025”, lançadas pelo GDF e pela Secretaria da Mulher, que buscam quebrar a cultura do silêncio e incentivar a denúncia. Para o governo, a redução dos índices de feminicídio no DF depende não apenas da atuação policial, mas também de um pacto social amplo, com participação de lideranças comunitárias, parlamentares e órgãos do Judiciário.
