“Farinha pouca, meu pirão primeiro.” O ditado popular, que costuma explicar bem o instinto de sobrevivência no dia a dia, também serve para entender certos movimentos da política brasiliense. E, neste momento, ele se encaixa na estratégia atribuída à deputada federal Bia Kicis (PL-DF).
A parlamentar tem repetido em diversas ocasiões que será candidata ao Senado em 2026. Um passo natural na trajetória de quem já ocupa espaço relevante no cenário político. O problema não está na ambição, mas no caminho escolhido: apostar quase exclusivamente em nomes do seu círculo mais próximo e restringir apoios a uma panelinha de confiança.
Nos bastidores, comenta-se que a deputada concentra esforços em três aliados: o distrital Thiago Manzoni, o administrador do SIA, Bruno Oliveira, e seu assessor Evandro Araújo. Todos fiéis escudeiros, mas que representam pouco além da bolha política que ela mesma alimenta.
A lógica é simples: se a farinha é pouca, primeiro se garante o pirão de casa. Mas em política, sobretudo em disputas majoritárias, essa receita dificilmente sustenta uma candidatura. Um projeto de Senado exige costura ampla, capacidade de dialogar com diferentes grupos e disposição para dividir o prato com aliados de fora da cozinha doméstica.
Ao priorizar apenas os seus, Kicis arrisca transmitir a imagem de que a mesa é curta e que não há espaço para quem não pertence ao seu círculo íntimo. O efeito pode ser o isolamento, justamente no momento em que mais precisaria de coligações, apoios e novos parceiros.
No fim, a sabedoria popular ensina: quem pensa só no próprio pirão até pode se saciar por um instante, mas dificilmente terá forças para atravessar a longa jornada eleitoral. Política não se ganha com prato feito — pede mesa farta, cadeiras abertas e o maior número possível de convidados para o banquete da vitória.

